Produtores rurais de Mato Grosso e todo o país já começam a sentir os reflexos da escalada das tensões no Oriente Médio sobre os custos de produção agrícola. Um estudo do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária aponta que o agravamento do conflito na região e os problemas logísticos no Estreito de Ormuz provocaram forte alta no preço internacional da ureia, fertilizante essencial para diversas culturas.
A instabilidade na região tem gerado incerteza sobre a oferta global de insumos, além de encarecer fretes e seguros marítimos. O estreito é uma das principais rotas mundiais para transporte de petróleo, gás natural e fertilizantes, e o bloqueio parcial do tráfego já deixou embarcações retidas nas costas de Omã e dos Emirados Árabes Unidos, pressionando ainda mais o mercado internacional.
O estudo mostra que o momento é particularmente sensível para o abastecimento brasileiro de fertilizantes. As importações de nitrogenados costumam ganhar força a partir de março e atingem volumes maiores no terceiro e quarto trimestres, período em que produtores formam estoques para atender as principais culturas agrícolas.
Entre os insumos analisados, o impacto mais evidente aparece na ureia. O contrato futuro para março de 2026 chegou a US$ 618 por tonelada no início deste mês, o que representa alta de 30,65% desde o início do conflito. Em Mato Grosso, a preocupação é maior para a cultura do milho, já que as compras de fertilizantes para a safra 2026/27 ainda estão em fase inicial.
Dados do Imea indicam que apenas 5,95% das negociações de fertilizantes para o milho haviam sido realizadas até o período analisado. Em uma simulação para lavouras de alta tecnologia em Sinop, o instituto estima que uma elevação de 30% nos fertilizantes nitrogenados pode aumentar em 4,68% o Custo Operacional Efetivo, o equivalente a cerca de 5,9 sacas de milho por hectare.
Na soja, o alerta está concentrado nos fertilizantes fosfatados. Em 2025, o Brasil importou cerca de 40% desse tipo de insumo de países como Egito e Israel. Em Mato Grosso, a dependência é ainda maior: juntos, esses dois países responderam por quase 59% das compras estaduais, ampliando a exposição do setor a eventuais choques de oferta e atrasos logísticos.
Na avaliação do Imea, a combinação entre dependência externa de fertilizantes, instabilidade geopolítica e gargalos no transporte internacional pode tornar o planejamento da próxima safra mais incerto e caro. Caso o cenário de tensão persista, o ciclo agrícola 2026/27 deve começar com custos mais elevados para os produtores e maior pressão sobre as margens de rentabilidade do agronegócio.



