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Tenente-coronel indiciado por feminicídio vai para a reserva

A estrutura da Polícia Militar de São Paulo registrou nesta quinta-feira (2 de abril de 2026) um movimento que gera perplexidade social e jurídica. O tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, preso preventivamente e indiciado pelo feminicídio da soldado Gisele Alves Santana, foi transferido para a reserva remunerada. Na prática, o oficial, que estava com o salário suspenso devido à prisão, volta a receber proventos pagos pelo erário.

A Engenharia da Inatividade

A transferência para a reserva é um ato administrativo que ocorre independentemente do processo criminal, baseando-se no tempo de serviço. No caso de Geraldo Leite, a proporção fixada foi de 58/60, o que lhe garante o recebimento de quase 97% da sua remuneração de ativa.

A Barreira do Conselho de Justificação

A Secretaria de Segurança Pública (SSP) ressalta que a ida para a reserva não é uma blindagem. O Conselho de Justificação já foi instaurado e é o tribunal de honra que avaliará se o oficial é digno de manter o posto e a patente.

  • O Risco: Caso o conselho conclua pela indignidade, ele pode ser demitido e perder a patente.
  • O Obstáculo: A interrupção dos pagamentos de “aposentadoria” só ocorre após uma decisão judicial definitiva, o que pode levar anos em virtude dos recursos previstos no Direito Militar.

A Perícia que Desmontou a Farsa

O crime, ocorrido em 18 de fevereiro de 2026, foi inicialmente reportado pelo tenente-coronel como um suicídio. No entanto, a investigação da Polícia Civil e os laudos do IML foram implacáveis:

  1. Marcas de Agressão: O corpo de Gisele apresentava hematomas e lesões incompatíveis com um ato voluntário de autoextermínio.
  2. Fraude Processual: O oficial é suspeito de ter manipulado a cena do crime para sustentar sua narrativa.
  3. Vulnerabilidade: A família da soldado sempre contestou a versão de Geraldo, apontando um histórico que culminou no tiro fatal no apartamento do casal.

Atualmente, o tenente-coronel permanece preso no Presídio Militar Romão Gomes. Enquanto a justiça penal segue seu curso para o julgamento do feminicídio, o Estado inicia o pagamento de seus proventos, expondo a dicotomia entre os direitos previdenciários e a justiça para as vítimas de violência de gênero dentro das forças de segurança.

Lucas Bellinello

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