Os candidatos ao Governo do Estado e Senado nas eleições de 2026 receberão, a partir da próxima segunda-feira (28), o Plano de Metas Mato Grosso 2050, elaborado pelo Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT). O documento estabelece propostas de políticas de Estado para os próximos 25 anos e será apresentado pelo presidente do órgão, conselheiro Sérgio Ricardo. No caso da disputa pelo Governo, a apresentação ocorrerá após o primeiro turno, ao vencedor ou, em caso de segundo turno, aos dois candidatos que avançarem.
Entre as prioridades apontadas pelo TCE-MT estão o enfrentamento da pobreza e da insegurança alimentar, a criação de restaurantes populares nos municípios e a ampliação do diagnóstico e atendimento de crianças neurodivergentes. O trabalho é coordenado pelo conselheiro aposentado Valter Albano e conta com a participação dos demais conselheiros. Segundo Sérgio Ricardo, a iniciativa não pretende interferir na disputa eleitoral, mas apresentar aos futuros gestores propostas de longo prazo.
Um dos principais diagnósticos do plano trata da insegurança alimentar. Dados apresentados pelo presidente apontam que 885 mil mato-grossenses, o equivalente a 22,4% da população, vivem nessa condição. O levantamento considera informações do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e da Organização das Nações Unidas (ONU), além de respostas de um questionário enviado pelo TCE-MT aos 142 municípios. Na situação mais grave, 95 mil pessoas chegam a ficar sem comida por um dia ou mais.
Como resposta, o plano propõe que cada município tenha pelo menos um restaurante popular com oferta gratuita de refeições, com uma estrutura maior nas cidades mais populosas. Cuiabá, por exemplo, poderia contar com cinco, seis ou sete unidades, segundo Sérgio Ricardo. O presidente também destacou o contraste entre a força do agronegócio mato-grossense e a insegurança alimentar no Estado, citando a antiga fila por doação de ossos no bairro CPA, em Cuiabá, como exemplo dessa desigualdade.
Outro eixo do MT 2050 envolve crianças neurodivergentes. O TCE-MT conduz uma auditoria sobre o acesso ao diagnóstico e ao atendimento e identificou casos de famílias que aguardam anos por consultas. Sérgio Ricardo citou a situação de uma mãe que espera há quatro anos pelo atendimento do filho e afirmou que a demora pode comprometer o diagnóstico precoce. As reuniões sobre o plano continuam nos próximos dias, antes da apresentação aos candidatos.



