Na política são comuns histórias parecidas se repetirem. Em 1997, o então governador Dante de Oliveira – falecido em 2006 – se desfiliou do PDT, por não seguir as diretrizes do partido e ter apoiado a reeleição do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB). Na época, o “Homem das Diretas” foi chamado de traidor pelo fundador do partido, ex-governador do Rio de Janeiro e do Rio Grande do Sul Leonel Brizola – falecido em 2004.
Agora, dezoito anos depois, o PDT volta a ficar em segundo plano no cenário político do estado, com a saída de do governador Pedro Taques, que entregou sua carta de desfiliação no sábado (08). Assim como Dante, a discordância quanto à atuação nacional foi um peso que motivou o rompimento.
Taques sempre criticou o apoio ao governo de Dilma e neste ano enfrentou grandes desavenças com o diretório estadual da legenda, presidido pelo deputado estadual Zeca Viana.
Na Assembleia Legislativa, Viana adotou o posto de principal opositor ao Governo do Estado. Implacável, dificultou a articulação da base governista no parlamento e nunca poupou críticas à postura de Taques como chefe do Executivo.
A relação extremamente conturbada entre os dois teve início nas articulações para eleição da Mesa Diretora da AL, em janeiro deste ano. Zeca Viana se sentiu preterido e não concordou com o apoio incondicional do governador à candidatura de Guilherme Maluf (PSDB), que acabou sendo eleito.
O cientista político João Edisom de Souza avalia que o PDT perde força com a saída de Taques e aponta a necessidade de uma avaliação autocrítica, por parte do diretório.
“O PDT mato-grossense é muito conflituoso. É um conjunto de pessoas que brigam demais entre si. Normalmente é um partido que quando chega ao poder não consegue conviver com ninguém. Eles precisam redimensionar o posicionamento interno. Vai enfraquecer sim, pois tem gente lá que vai sair cantando: ‘Pedro, pra onde você vai eu também vou’”, afirmou o especialista.
Por fim, nos resta saber se assim como Dante, que se filiou ao PSDB após sair do PDT, Taques seguirá o mesmo caminho ou seguirá outros rumos.
Após sair do PDT, para onde vai Pedro Taques?
Taques teria se decidido pelo PSDB em troca de vice-presidência do partido


