O suplente de deputado estadual Hugo Garcia (PSDB), que concorrerá ao cargo nas eleições de outubro, é um dos alvos da Operação Mandato Espúrio, deflagrada pela Polícia Civil nesta terça-feira (24) para investigar supostas movimentações financeiras irregulares no Instituto Mato-Grossense de Feijão, Pulses, Colheitas Especiais e Irrigação (IMAFIR-MT). Conforme a investigação, as transações consideradas suspeitas ultrapassam R$ 1 milhão.
A operação é conduzida pela Delegacia Especializada de Roubos e Furtos (Derf) de Cuiabá e apura possíveis crimes de furto qualificado, estelionato e falsidade ideológica relacionados à administração do instituto. Em Cuiabá, foram cumpridos dois mandados de busca e apreensão, além de medidas para bloquear contas bancárias e suspender os acessos dos investigados às contas do IMAFIR-MT, que é considerado vítima e colabora com as autoridades.
Segundo a Polícia Civil, Hugo Garcia, que ocupava a presidência da entidade, está entre os investigados por supostos atos de gestão e movimentações financeiras realizadas durante um período de disputa pela representação legal do instituto. A apuração busca esclarecer se operações foram autorizadas por pessoas que tinham legitimidade para administrar as contas da entidade.
O inquérito também investiga se um ex-dirigente do IMAFIR-MT realizou movimentações financeiras mesmo após a existência de um acordo homologado judicialmente e de uma decisão que o impedia de reassumir a presidência e praticar atos em nome da entidade. As diligências identificaram ainda indícios de alterações estatutárias e disputa interna pelo comando do instituto antes da realização das operações consideradas suspeitas.
Entre as movimentações investigadas estão uma transferência de quase R$ 774 mil para uma conta pessoal e uma empresa pertencente ao então diretor executivo do instituto. Outra operação, no valor de R$ 270 mil, teve como destino um escritório de advocacia. A Polícia Civil busca identificar os responsáveis pelas transações, esclarecer a finalidade dos pagamentos e verificar a destinação dos recursos.
Além das buscas, a Justiça determinou o bloqueio das contas bancárias e a suspensão e desativação dos mecanismos utilizados pelos investigados para movimentar os recursos do IMAFIR-MT. A medida inclui credenciais eletrônicas, tokens, certificados digitais, assinaturas eletrônicas e outros meios de acesso, incluindo a chamada “Chave J”. Os investigadores também apreenderam documentos, computadores e celulares que serão analisados para subsidiar a conclusão do inquérito e eventual responsabilização dos envolvidos.


