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STJ decreta prisão de policiais acusados de simular confronto; ACS-MT assume defesa dos militares

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) decretou a prisão preventiva dos policiais militares Jorge Rodrigo Martins, Leandro Cardoso, Wailson Alesandro Medeiros Ramos e Wekcerlley Benevides, acusados de envolvimento em confronto simulado para ocultar a arma do homicídio do advogado Renato Gomes Nery. A decisão foi proferida pela ministra Maria Marluce Caldas, que acolheu agravo interposto pelo Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) para restabelecer a custódia cautelar. O grupo foi denunciado pela morte de Walteir Lima Cabral e por tentativa de homicídio contra dois adolescentes durante perseguição ocorrida em 12 de julho de 2024, no Contorno Leste, em Cuiabá.

Os militares estavam presos, mas haviam sido colocados em liberdade por decisão de primeiro grau, mediante cumprimento de medidas cautelares, como apresentação de relatório trimestral de atividades, proibição de contato com vítimas e testemunhas e recolhimento domiciliar noturno. Ao analisar o caso, a ministra considerou que a gravidade concreta dos fatos e o contexto descrito na denúncia — que aponta para a simulação de confronto armado com o objetivo de ocultar a ligação com o assassinato do advogado — demonstram risco à ordem pública e à instrução processual. Segundo a magistrada, a necessidade de evitar intimidação de sobreviventes e testemunhas justifica a nova prisão preventiva, mesmo diante de condições pessoais favoráveis dos acusados.

Após a decisão do STJ, a Associação dos Cabos e Soldados da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros de Mato Grosso (ACS-MT) anunciou que assumiu a assistência jurídica integral dos quatro policiais investigados. Até então, a entidade representava apenas Wekcerlley Benevides de Oliveira, mas, com o restabelecimento da prisão preventiva, os demais militares optaram por aderir à defesa oferecida pela associação, que agora centraliza a estratégia jurídica do caso.

O presidente da ACS-MT, sargento Laudicério Machado, afirmou que a entidade disponibilizou sua estrutura técnica para acompanhar todas as etapas da instrução processual. Segundo ele, a associação confia nas instituições de Justiça e pretende garantir que os direitos dos militares sejam respeitados, reforçando o compromisso com a ampla defesa e com a presunção de inocência dos envolvidos.

A mobilização da entidade ocorre após a ministra Maria Marluce Caldas acolher recurso do MPMT e determinar o retorno dos policiais à prisão preventiva. Eles são investigados por supostamente forjar um confronto para justificar a posse de uma pistola Glock 9mm que, conforme perícias, teria sido usada na execução do advogado em julho de 2024. A defesa técnica da associação informou que estuda os fundamentos da decisão para tentar reverter a custódia cautelar e buscar que os policiais respondam ao processo em liberdade, como havia sido autorizado anteriormente pela Justiça estadual.

joaofreitas

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