Mato Grosso está no centro de uma ofensiva judicial sem precedentes. O Supremo Tribunal Federal (STF), sob a batuta do ministro Alexandre de Moraes, iniciou a execução de multas que somam R$ 700 milhões contra empresários e empresas acusados de financiar a interrupção de rodovias após o pleito de 2022. O foco agora sai do campo das investigações e entra diretamente no patrimônio dos envolvidos.
Os Números que Impressionam
A lista compilada pela Advocacia-Geral da União (AGU) revela valores que fogem à normalidade das multas de trânsito comuns, refletindo o entendimento de que houve um financiamento organizado para atentar contra a ordem pública.
- Liderança das Sanções: O nome de Adriano Bortolotto (junto a Camila Tessèle Cargnelutti e Joel Vila Nova) aparece com a cifra recorde de R$ 147,1 milhões.
- Setores Atingidos: A lista é um “quem é quem” do poder econômico regional, envolvendo desde cooperativas de crédito, como a Sicredi Ouro Verde, até indústrias de biocombustíveis como a Inpasa e bancos de montadoras como Volvo e Rodobens.
- Amplitude: Produtores rurais, agropecuárias e transportadoras completam o quadro, com multas que variam de R$ 100 mil a R$ 15,6 milhões.
As Ferramentas de Coerção
Para garantir que o dinheiro retorne ao Estado, a justiça autorizou o uso de medidas severas. O objetivo é evitar que os multados ocultem patrimônio ou ignorem a sentença:
- Bloqueio via SisbaJud: Congelamento imediato de valores em contas bancárias.
- Penhora de Ativos: Tomada de bens móveis (máquinas agrícolas, veículos) e imóveis (fazendas e sedes de empresas).
- Restrições Administrativas: Bloqueio de transferências em registros de veículos e averbações em matrículas de terras, impedindo a venda ou uso desses bens como garantia.
A Mensagem da Corte
O cerne da decisão reside na diferenciação entre a liberdade de manifestação e o financiamento de atos ilícitos. Para o STF, a organização de acampamentos e o bloqueio de vias não são expressões democráticas, mas sim tentativas de cercear o direito de ir e vir e desestabilizar as instituições.
Com a publicação desta lista em março de 2026, o Judiciário sinaliza que a conta pelo apoio logístico e financeiro a esses movimentos será paga com o próprio capital que, em tese, financiou as paralisações. O cenário agora é de corrida jurídica, com defesas tentando evitar a penhora imediata de seus bens.



