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SP tem número recorde de focos de incêndio em um único mês

O estado de São Paulo já registra em setembro o maior número de focos de incêndio em um único mês desde o início da série histórica, em 1998, quando o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) passou a monitorar com satélites as queimadas em vegetações.

De acordo com dados do Inpe, as cidades paulistas já tiveram 2.221 focos de incêndio entre o dia 1º de setembro e esta segunda-feira (18). O número superou o até então recorde aferido em agosto de 2010, quando houve 1.803 registros de fogo em vegetação durante todo o mês.

O mês nem acabou, mas os focos de incêndio computados até agora já representam uma alta de 356% em relação aos 487 calculados pelo Inpe durante os 30 dias de setembro de 2016. O índice é superior até mesmo ao dos últimos três setembros somados – de 2016, 2015 e 2014.

A chegada do inverno e do tempo mais seco fez com que os incêndios aumentassem a cada mês. Se durante todo o primeiro semestre de 2017 o Inpe havia contabilizado 549 focos, só em julho foram outros 800 e em agosto, mais 981, até chegar ao número recorde de setembro.

A quantidade de focos de incêndios ocorridos nos 18 primeiros dias deste mês em São Paulo é tão grande que supera, por exemplo, os pontos de queimada encontrados no estado no decorrer dos 365 (ou 366 em anos bissextos) dias de 2005, 2006, 2007, 2008, 2009, 2012, 2013 e 2015.

Explicação
Segundo Franco Villela, do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), a alta pode ocorrer por razões alheias às questões meteorológicas, já que a maioria dos incêndios é causada pelo próprio homem, mas as características do tempo em setembro, um mês de transição de estações, colaboram.

“Consideramos os dias de estiagem prolongada, a umidade do ar bastante baixa, e as temperaturas extremamente elevadas. Aliadas a isso, o vento, que pode, conforme for, espalhar mais esses incêndios, sejam eles criminosos ou naturais”, explica o meteorologista.

O capitão Marcos Palumbo, porta-voz do Corpo de Bombeiros de São Paulo, afirma que o número real de incêndios em setembro é ainda mais alarmante do que o detectado pelo Inpe (leia mais sobre a metodologia do órgão abaixo). Para a corporação, só entre segunda (11) e sábado (16) foram 1.896 ocorrências do tipo na região metropolitana de São Paulo – uma média de 316 casos por dia.

O número crescente de incêndios virou uma "preocupação" para Palumbo. Com a vegetação ressecada, o fogo se propaga com velocidade e, na maioria das vezes, em locais de difícil acesso, onde os veículos da corporação, equipados com bombas d'água e mangueiras, não chegam.

"Os bombeiros vão combater nesses locais e demoram muito tempo. Preciso fazer o combate com um número muito grande de bombeiros e usar equipamentos manuais, o que dificulta o trabalho", conta o capitão. Segundo ele, outras ocorrências acabam, então, entrando "na fila de espera". "Às vezes as pessoas não entendem", lamenta.

Palumbo também aponta a "ação urbana" como a principal responsável pelas queimadas. "Em ocorrências próximos de estrada, achamos bitucas de cigarro que as pessoas jogam e não têm ideia que aquilo, uma pequena brasa, pode causar um grande incêndio", exemplificou.

Metodologia
O Inpe utiliza satélites que possuem sensores óticos para monitorar queimadas e incêndios florestais em todo país. Com o aparato, o órgão federal é capaz de detectar frentes de fogo até mesmo em regiões remotas, desde que elas atinjam pelo menos 30 metros de extensão.

Apesar da alta tecnologia, condições como a alta nebulosidade e o tempo diminuto de duração fogo podem prejudicar a detecção das queimadas. Os satélites também podem não apontar os incêndios se as chamas atingirem apenas o chão de uma floresta densa, por exemplo.

De acordo com o Inpe, a relação entre os números de focos de incêndio e de queimadas nem sempre é direta. Podem haver queimadas distintas em que a indicação será de um único foco e, da mesma forma, se uma queimada for muita extensa, vários focos estarão associados a ela.

O órgão federal ressalva, ainda, que é comum uma mesma queimada ser detectada por vários satélites. Ou seja, "mapas e tabelas que apresentam todos os focos de todos os satélites sempre terão algumas repetições".

Redação

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