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Sinop: credores rejeitam plano e recuperação judicial do Grupo Pelissari avança para nova etapa

Grupo Pelissari tem pedido de recuperação judicial em um momento decisivo após os credores rejeitarem o plano apresentado pela empresa durante Assembleia Geral de Credores realizada em 2025. A decisão marcou uma mudança significativa no rumo do processo, que tramita na 4ª Vara Cível de Sinop, e abriu uma nova etapa nas negociações envolvendo a reestruturação do grupo.

Durante a assembleia, pedidos de nova suspensão foram negados pela Administração Judicial, que considerou o histórico de prorrogações concedidas sem avanços concretos. Com a rejeição do plano, a recuperação judicial avançou para uma fase menos comum: a possibilidade de os próprios credores apresentarem uma proposta alternativa de reorganização, conforme previsto na Lei de Recuperação e Falências.

Diante desse cenário, a AGC autorizou a abertura de prazo para apresentação de um plano alternativo. Entre os principais credores envolvidos estão a Blackpartners Fundo de Investimento e as empresas Terra Forte, Maré Fertilizantes e Vicente Agro, que protocolaram conjuntamente uma nova proposta de reestruturação. O objetivo é suprir falhas apontadas no plano original, especialmente no que se refere à previsibilidade financeira e à clareza das informações.

Segundo os documentos apresentados ao juízo, o plano alternativo prevê critérios objetivos de cumprimento, maior transparência sobre o desempenho operacional e mecanismos de fiscalização mais rigorosos. Além disso, os credores solicitaram acesso ampliado a informações da empresa, incluindo pedidos de medidas de apuração, como quebra de sigilos e uso de ferramentas de rastreamento de dados, que ainda dependem de análise judicial.

Para o advogado Felipe Iglesias, o movimento evidencia a gravidade do momento enfrentado pelo grupo. “A apresentação de um plano alternativo por credores é prevista em lei, mas não é comum na prática. Quando acontece, geralmente indica que os credores não enxergam, naquele momento, uma proposta do devedor capaz de equilibrar viabilidade econômica e execução efetiva. Se o plano alternativo também for rejeitado, o risco de falência se torna concreto”, afirma. Uma nova assembleia para deliberação sobre o plano dos credores deve ocorrer ainda no primeiro semestre de 2026.

joaofreitas

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