Em decisão proferida na tarde desta quarta-feira (13.07) a 2ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJ-MT) anulou a sentença que absolveu o caseiro Anastácio Marafon, de 55 anos, da autoria do assassinato do ex-secretário de Estado de Infraestrutura, Vilceu Marchetti. Com a anulação, Marafon será submetido a um novo júri, que não tem data marcada ainda.
Marafon foi absolvido pelo Conselho de Sentença do Tribunal do Júri da Comarca de Santo Antônio do Leverger. Foram quatro votos a dois, e o júri acatou a tese de que o ex-secretário teria atirado primeiro em Marafon, que agiu em legítima defesa ao atirar contra Marchetti.
Um dos motivos que levou o relator do recurso desembargador Rondon Bassil Dower Filho, decidir pela anulação, foram às versões conflitantes apresentadas pelo caseiro. Marafon teria apresentado uma versão na fase do inquérito policial e outra diferente à Justiça. O desembargador Alberto Ferreira e o juiz convocado, Jorge Luiz Tadeu Rodrigues, acompanharam o voto e votaram de forma unanime pela anulação da sentença.
O caso
Vilceu Marchetti foi morto na noite do dia 07 de julho de 2014, na Fazenda Marazul, localizada na região do Pantanal. A fazenda pertencia a Neri Fulgante e era administrada por Marchetti. Anastácio Marafon já trabalhava para Fulgante há seis anos em outra propriedade e assumiria a administração da Fazenda Marazul. O réu havia chegado ao local há pouco mais de 10 dias, junto com a família.
Segundo Marafon, o ex-secretário teria assediado a esposa do novo administrador, que presenciou a cena e tirou satisfação com a companheira. Marafon, então, teria se dirigido armado até o apartamento ocupado por Marchetti na fazenda e entrado em seu quarto.
Após discussão o ex-secretário foi morto a tiros. O caseiro voltou à propriedade e atirou a arma no rio durante o percurso. A versão aceita pelo Conselho de Sentença foi a de que Marafon, após descobrir o assédio, teria ido até Fugante para se demitir, mas, no caminho, Marchetti teria disparado contra ele. Para evitar nova ofensiva, Marafon teria sacado a arma e revidado contra o ex-secretário.
Porém, segundo o promotor de Justiça Natanael Fiúza, Marchetti teria sido executado quando se encontrava deitado em sua cama, contrariando a versão dada pelo caseiro, de que o ex-secretário atirou primeiro.


