A quarta-feira (18) marcou uma virada dramática no cenário político de Mato Grosso em 2026. Em uma decisão que isolou a senadora Margareth Buzetti (PP) e impôs uma derrota amarga ao governador Mauro Mendes (União), a CPI do Crime Organizado no Senado Federal aprovou a convocação — e não apenas o convite — do ex-governador Pedro Taques (PSB).
O “Xeque” de Alessandro Vieira
O relator da CPI, senador Alessandro Vieira (MDB/SE), foi cirúrgico em sua fundamentação. Ao rejeitar os memorandos de defesa enviados previamente por Mendes e Taques, Vieira sinalizou que o material probatório em mãos é denso o suficiente para exigir um depoimento presencial. Mais do que isso, o relator assumiu o caráter político da oitiva: com Taques e Mendes disputando a mesma vaga ao Senado em outubro, a CPI torna-se o principal tribunal pré-eleitoral do estado.
| Ponto Central do Depoimento | O que está em jogo? |
| Escândalo dos Consignados | Denúncias de irregularidades em empréstimos para servidores via Sinpaig. |
| Caso Oi S.A | Acordo de R$ 308 milhões cujos fundos teriam ligações com o Banco Master. |
| Operação Compliance Zero | Compartilhamento de provas que ligam o governo estadual a Daniel Vorcaro. |
O Elo com o Banco Master
A convocação de Taques não é um fato isolado; ela é um desdobramento direto da Operação Compliance Zero. Como advogado de sindicatos de servidores, Taques tem acesso a dados que sugerem uma triangulação financeira entre o acordo da Oi S.A e instituições ligadas ao banqueiro Daniel Vorcaro, preso recentemente por ordens do STF.
“Quem vir prestar depoimento como testemunha tem que provar e embasar o que vai dizer”, alertou Vieira, deixando claro que Taques não terá apenas um palanque para retórica, mas a obrigação de apresentar os documentos que protocolou via Sinpaig.
Impacto Eleitoral Imediato
Para o Palácio Paiaguás, o depoimento de Taques é um “pesadelo logístico”. Enquanto Mauro Mendes tenta consolidar sua imagem de gestor técnico para a disputa do Senado, a exposição nacional de casos como o dos “Consignados” em uma CPI de Crime Organizado vincula sua gestão a pautas de corrupção e infiltração financeira.
A tentativa frustrada de Buzetti e Mendes de “demover” Alessandro Vieira na semana passada acabou gerando o efeito reverso: atraiu a atenção da imprensa nacional para um conflito que, até então, parecia restrito às fronteiras de Mato Grosso. Na próxima semana, o Senado não ouvirá apenas um ex-governador, mas um candidato munido de documentos contra seu principal adversário.


