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Saúde mental em alerta: desejo de ‘parar de viver’ atinge o dobro de meninas em relação aos rapazes

Levantamento especial produzido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) acende sinal de alerta sobre a saúde emocional dos jovens brasileiros, com reflexos preocupantes em Mato Grosso. Os dados da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) 2024 revelam que a perda da vontade de viver atinge duas vezes mais meninas do que meninos. Enquanto o estado monitora os índices de bem-estar de seus estudantes, o cenário nacional aponta que uma em cada quatro adolescentes do sexo feminino considera que a vida não vale a pena ser vivida, um percentual de 25% contra 12% registrado entre os alunos do sexo masculino.

A disparidade de gênero se estende a outros indicadores de sofrimento emocional e comportamento autodestrutivo. De acordo com o estudo, realizado com estudantes de 13 a 17 anos, 43,4% das meninas sentiram vontade de se “machucar de propósito” nos 12 meses anteriores à pesquisa, número que cai para 20,5% entre os meninos. O sentimento de tristeza profunda também é mais prevalente no grupo feminino, atingindo 41% das entrevistadas, enquanto entre os rapazes o índice é de 16,7%, evidenciando uma lacuna de quase 25 pontos percentuais na percepção de felicidade.

A irritabilidade e o nervosismo constante também compõem o quadro crítico da saúde mental na adolescência. O levantamento mostra que 58,1% das meninas se sentem irritadas ou mal-humoradas por qualquer motivo, superando significativamente os 27,6% relatados pelos meninos. Segundo a pesquisadora e psicóloga Danielle Monteiro, embora alguns indicadores gerais tenham apresentado melhora em relação ao período pré-pandemia de 2019, os resultados atuais ainda são superiores aos encontrados na literatura internacional sobre sintomas de ansiedade e depressão.

Outro fator que contribui para o desgaste emocional é a crescente insatisfação com a própria imagem corporal, que vem sofrendo quedas consecutivas desde 2015. Atualmente, mais de 40% dos adolescentes afirmam não estar plenamente satisfeitos com o que veem no espelho. O índice de satisfação, que era de 70,2% há nove anos, recuou para 58% no último levantamento. Novamente, as alunas são as mais afetadas pela pressão estética: 36,1% das meninas declararam estar insatisfeitas com o corpo, praticamente o dobro do registrado entre os meninos (18,2%).

Especialistas alertam que a precocidade dessas crises de imagem e identidade pode comprometer o desenvolvimento social e educacional dos jovens. O estudo aponta que a indiferença ou a insatisfação com a aparência física muitas vezes caminha lado a lado com o isolamento social. A tendência de queda na autoestima desde 2015 sugere que fatores externos, como o uso intensivo de redes sociais e a exposição a padrões irreais de beleza, podem estar aprofundando o abismo entre a realidade dos jovens e suas expectativas pessoais.

Diante do diagnóstico, o IBGE e analistas de saúde reforçam a urgência de políticas públicas que contemplem as especificidades de gênero no atendimento psicossocial. Para Danielle Monteiro, investir na saúde mental das adolescentes é essencial não apenas para o bem-estar individual, mas para garantir a futura contribuição dessas jovens para a economia e a sociedade. A criação de redes de apoio nas escolas e a simplificação do acesso a profissionais de psicologia surgem como medidas imediatas para reverter a estatística de que tantas jovens brasileiras sintam que o futuro não oferece perspectivas.

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