Após uma série de audiências públicas realizadas em Mato Grosso, o deputado estadual Wilson Santos (PSD) entregou ao ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, um relatório que aponta falhas recorrentes na prestação dos serviços de distribuição de energia elétrica pela concessionária Energisa. O documento foi apresentado nesta sexta-feira (9), em Brasília, e consolida os resultados de oito encontros regionais que ouviram a população e setores produtivos do estado.
O relatório, que teve como relator o deputado estadual Eduardo Botelho (União), reúne denúncias, dados técnicos e relatos de consumidores, servindo como subsídio para que o Ministério de Minas e Energia avalie o cumprimento das cláusulas contratuais da concessão. Entre as alternativas em análise estão a renovação do contrato ou a realização de uma nova licitação para os próximos 30 anos. Segundo Wilson Santos, a criação da Comissão Especial na Assembleia Legislativa teve como foco acompanhar de perto esse processo.
“O parlamento estadual é favorável à iniciativa privada, que possui expertise e capital para realizar os investimentos que o estado exige. No entanto, não temos interesse em repetir modelos ultrapassados, pois Mato Grosso se desenvolveu significativamente”, afirmou.
Como vice-presidente da Comissão, o deputado destacou que as audiências ocorreram no segundo semestre de 2025, com participação popular, nos municípios de Tangará da Serra, Sapezal, Cáceres, Pontes e Lacerda, Várzea Grande, Cuiabá, Chapada dos Guimarães e Rondonópolis. Ele explicou que, além do relatório entregue ao ministério, também foi anexado o documento produzido pela Câmara Setorial Temática da Assembleia Legislativa.
“Na nossa conclusão, sugerimos pela realização de uma nova licitação, pois entendemos que nem todas as cláusulas contratuais foram cumpridas”, ressaltou.
Entre as principais reclamações da população estão a baixa implantação do sistema trifásico, presente em menos de um terço do estado, e a precariedade do atendimento ao consumidor. Wilson Santos apontou que a deficiência energética compromete a atração de novos investimentos e a ampliação de indústrias já instaladas. “Mato Grosso cresce, muitas indústrias e empresários desejam se instalar em determinadas cidades, mas não conseguem avançar por falta de capacidade energética”, disse. Ele também criticou o fechamento de agências físicas no interior e a lentidão dos canais digitais e telefônicos.
O relatório ainda destaca a instabilidade e a baixa qualidade no fornecimento de energia, com quedas frequentes, oscilações e prejuízos materiais à população urbana e ao setor produtivo rural. “Elencamos informações que desfavorecem a renovação da concessão da Energisa em Mato Grosso. A prorrogação do contrato nos moldes atuais é estrategicamente indefensável e lesiva aos interesses de longo prazo do estado”, afirmou Wilson Santos. O ministro Alexandre Silveira reconheceu que o contrato firmado em 1997 está defasado e afirmou que as discussões continuarão, com novo encontro agendado de forma remota para a próxima terça-feira (13).


