O Grupo Nova Fronteira teve o Plano de Recuperação Judicial aprovado pelos credores durante Assembleia Geral realizada nesta quarta-feira (26), encerrando uma das principais etapas do processo de reestruturação financeira da empresa. O grupo reúne 112 credores e possui passivo superior a R$ 600 milhões. A aprovação ocorreu em todas as classes, com adesão de 100% dos credores trabalhistas e de microempresas e empresas de pequeno porte (ME/EPP).
Entre os credores com garantia real, o índice de aprovação chegou a 84,18%, enquanto na classe dos quirografários alcançou 66,62%. A recuperação judicial envolveu instituições financeiras públicas e privadas, cooperativas de crédito, fornecedores de insumos e equipamentos agrícolas e agentes financeiros. O plano prevê ainda a contratação de um novo financiamento DIP, no valor de R$ 13 milhões, para reforçar o capital de giro do grupo.
Para Victor D’Elia, advogado responsável pela condução do processo, a aprovação em todas as classes demonstra o resultado das negociações realizadas entre a empresa e os credores. “Esta foi uma das recuperações judiciais mais complexas em curso no Estado, não apenas pela dimensão do passivo, superior a R$ 600 milhões, mas principalmente pela natureza dos créditos, pelas garantias envolvidas e pela diversidade de credores. A aprovação em todas as classes demonstra que foi possível construir uma solução equilibrada, capaz de preservar a atividade do grupo e, ao mesmo tempo, considerar os interesses dos credores”, afirmou.
Além do plano, os credores aprovaram, por 73,01% dos créditos presentes e votantes, um novo período de proteção de 180 dias. A medida busca garantir estabilidade durante a fase inicial de implementação da reestruturação, preservando bens considerados essenciais à atividade produtiva e evitando medidas que possam comprometer a operação e a capacidade de cumprimento das obrigações assumidas.
Com mais de quatro décadas de atuação no agronegócio, o Grupo Nova Fronteira teve o processamento da recuperação judicial deferido em dezembro de 2024, quando o passivo declarado era de R$ 594,3 milhões. Atualmente, o grupo possui 25 mil hectares de área própria, dos quais 6 mil hectares são destinados ao cultivo de soja, além de estrutura com capacidade para 40 mil animais entre pastagens e confinamento.
Segundo o CEO do Grupo Nova Fronteira, João Paulo Marquezam, a aprovação representa uma sinalização de continuidade das operações e marca o início de uma nova etapa para a empresa. “A aprovação passa uma mensagem importante para o mercado: o Grupo Nova Fronteira continua firme na atividade e superou o estado de crise. Depois de um processo longo e de negociações complexas, começa agora uma nova fase, que exige disciplina para cumprir o que foi negociado, manter a produção e reconstruir a relação de confiança com credores, fornecedores e parceiros comerciais”, afirmou.



