A recém-nascida Maria Helena Rodrigues Coutinho, que nasceu no município de Juína (735 km de Cuiabá-MT) e foi diagnosticada com espinha bífida e aguardava uma vaga em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI), conseguiu o esperado tratamento no Hospital Regional de Sorriso (420 km de Cuabá) neste domingo (10).
Os médicos que realizavam o tratamento da criança em Juína diagnosticaram que a recém-nascida apresenta crises de convulsões e lesão lombar da espinha bífida e com isso, seria necessária a transferência para uma UTI neonatal, porém nenhuma unidade de saúde havia vaga para receber a garota para o tratamento.
O juiz Fábio Petengill, da Primeira Vara Cível de Juína, na última quinta-feira (07), determinou que o Estado adotasse as devidas medidas para o tratamento da menina. Em caso de descumprimento a multa seria de R$ 1 mil por dia.
"É notório que se a paciente não for imediatamente internada em UTI neonatal e ser submetida à cirurgia neurológica, poderá sofrer dano irreparável à própria vida, conforme evidenciam os documentos atrelados ao pedido", diz trecho da decisão do magistrado.
Mesmo diante da ordem judicial, a vaga só foi conseguida neste domingo em Sorriso. O tratamento no Hospital Regional de Sorriso será até a criança estabilizar seu quadro de saúde. A família da recém-nascida aguarda a chegada da UTI aérea para transferir a criança para Sorriso.
A garota teve a situação de saúde agravada devido à demora em realizar uma cirurgia neurológica. Com o adiamento da cirurgia a garota criança passou a apresentar quadros de convulsões e lesões na espinha bífida. A recém-nascida no momento precisa reestabelecer o quadro de saúde, para posteriormente realizar a cirurgia neural.
Devido ao impasse e demora na transferência, a Secretaria Estadual de Saúde (SES) emitiu uma nota informando que a recém-nascida já está regulamentada na SES para ser transferida ao Hospital Geral Universitário, porém aguarda uma vaga ser liberada na unidade.
A família relatou que após estabilizar a saúde da criança irão tentar realizar a cirurgia neurológica na criança para que ela possa viver com os problemas amenizados.
Espinha bífida é uma malformação congênita relativamente comum caracterizada por um fechamento incompleto do tubo neural. Algumas vértebras que recobrem a medula espinhal não são totalmente formadas, permanecendo abertas e sem se fundirem. Se a abertura é suficientemente grande, isto permite que parte da medula espinal se projete na abertura nos ossos. Pode conter fluidos em torno da medula espinhal, mas não em todos os casos. Outros problemas no tubo neural incluem anencefalia, uma condição em que parte do tubo neural e do cérebro não se fecham, e encefalocele, quando ocorre a herniação do cérebro.
Ainda não há cura para os danos causados pela espinha bífida, mas existem tratamentos para diminuir o grau da lesão. O tratamento, através de cirurgia, pode ser realizado antes ou depois do nascimento. No entanto, se a espinha bífida é diagnosticada durante a gravidez, evidências recentes mostram que a cirurgia fetal traz benefícios importantes para o desenvolvimento do bebê. A partir de 2011,após a publicação de um estudo americano que comparou o tratamento antes com o tratamento depois do nascimento, o padrão-ouro para o tratamento da doença tornou-se a cirurgia fetal, na maioria dos países do mundo, incluindo o Brasil.
O objetivo da cirurgia é fechar a abertura da coluna, protegendo a medula exposta para evitar mais danos ao tecido nervoso e para evitar infecções. Na cirurgia a medula espinhal e as raízes nervosas são colocadas de volta ao lugar de origem, ou seja, para dentro da coluna vertebral.



