Tema da Unidos da Vila Isabel no carnaval do Rio de Janeiro, Heitor dos Prazeres (1898-1966) recebeu uma das muitas homenagens da festividade, que ainda relembrou diversos outros artistas. Cantor, pintor, compositor e folião, o carioca é um nome importante da cultura afro-brasileira.
O enredo escolhido pela escola de samba, Macumbembê, samborembá: sonhei que um sambista sonhou a África, se conectava perfeitamente com a escolha de homenagear Heitor. Além de uma grande referência na questão de evidenciar a África no Brasil, o artista ainda propagou o termo “África em Miniatura”, para se referir à região da Praça Onze, no Rio de Janeiro.
Desde a sua infância o artista teve contato com samba e arte. Heitor pode ser descrito como um “herói nacional”, conforme relatou o jornalista e pesquisador Leonardo Bruno em entrevista exclusiva ao Estadão. Fato importante de se ressaltar, é que o brasileiro nasceu poucos anos após a abolição da escravatura no País – o que impactou o cotidiano e sua forma de fazer arte.
Heitor sempre manteve a população negra em destaque nas suas obras, quaisquer situações que fossem. Elas batiam de frente com a ideia colonial e europeia que existia à época. Foi com a expressão artística que o sambista conseguiu evidenciar as diferenças e escancarar a realidade da sociedade antiga.
Em sua carreira musical, o artista trazia composições que reforçavam a brasilidade. Dentre seus trabalhos, se destacam Pierrô Apaixonado, Madureira e Vai Saudade. Com uma discografia curta, seu principal álbum veio em 1957, quando lançou Heitor dos Prazeres e sua Gente.
Além de sua atuação na música, Heitor ainda se destacava como artista plástico. Autodidata, também utilizava-se de suas pinturas como forma de expressão que levava à reflexão.
Heitor dos Prazeres ainda desempenhou papel de destaque no samba. Ele ainda participou da fundação de grandes escolas de samba cariocas, como Mangueira, Portela e Unidos da Tijuca.


