A nomeação da coronel Susane Tamanho para o comando da Secretaria de Segurança Pública de Mato Grosso não é apenas um ato administrativo, mas sim uma afirmação inequívoca de competência, maturidade institucional e compromisso com um Estado que precisa olhar para frente. A segurança pública exige liderança técnica, experiência operacional e capacidade estratégica, sendo esses os verdadeiros critérios para a nomeação.
Não há, na Constituição, na lei ou na lógica, qualquer vínculo entre competência e sexo, ou entre capacidade de comando e orientação sexual, pois competência não tem gênero, não tem orientação sexual. Competência se constrói com formação, disciplina, experiência e resultados, e é exatamente isso que define uma coronel que alcançou os mais altos postos da carreira.
Aliás, insistir em associar aptidão para liderança a características pessoais como sexo ou orientação sexual é não apenas equivocado, mas intelectualmente pobre. É ignorar décadas de evolução social e institucional, além de fechar os olhos para a realidade de que as organizações mais eficientes do mundo são aquelas que selecionam seus líderes pelo mérito, não por estereótipos.
E a segurança pública não pode ser uma exceção a essa regra, principalmente quando Mato Grosso enfrenta desafios complexos como criminalidade organizada, conflitos estruturais e a necessidade urgente de modernização das forças de segurança e suas formas de atuação. Esses desafios exigem comando firme, inteligência estratégica e capacidade de integração, qualidades que não pertencem a um gênero, nem a uma orientação, mas a profissionais preparados.
Agora, uma coronel que venceu barreiras históricas dentro de uma instituição tradicional demonstra, na prática, não apenas competência, mas coragem, resiliência e autoridade moral para exercer esse cargo e desempenhar eficientemente a função dele decorre. Mas há ainda um ponto essencial, que é a autoridade de um líder nasce do respeito que sua trajetória impõe, não de características pessoais.
Quem comandou tropas, enfrentou crises, tomou decisões sob pressão e construiu carreira sólida dentro da hierarquia militar não precisa provar legitimidade, uma vez que ela já está consolidada e questionar ou comentar isso com base em preconceitos é desviar o debate do que realmente importa, ou seja, a capacidade de gerir, proteger e servir à sociedade.
Além disso, a nomeação carrega um simbolismo que fortalece o próprio Estado, pois mostra que Mato Grosso não se curva a visões ultrapassadas e que suas instituições reconhecem o mérito onde ele efetivamente está. Mais do que isso, sinaliza que o serviço público é um espaço de excelência, onde o único critério legítimo de ascensão é a competência.
Essa nomeação é, portanto, a defesa de algo maior, que é a racionalidade administrativa, a justiça institucional e o respeito aos princípios constitucionais de igualdade e dignidade, pois mostra com clareza, que liderança não se define por quem a pessoa é ou escolhe ser, mas pelo que ela fez, pelo que sabe e pelo que é capaz de fazer.
Enfim, a nomeação da nova comandante-geral da Polícia Militar do Estado de Mato Grosso é a reafirmação de uma verdade simples e incontornável de que a competência não tem sexo, não tem orientação sexual e não admite preconceito, pois ela se impõe simplesmente pelos fatos meritórios de quem vai exercer o cargo.



