Fotos: Ahmad Jarrah / Circuito Mato Grosso
“Pedro, onde você vai eu também vou”. Assim como o trecho da música “Meu Amigo Pedro”, de Raul Seixas, muitos prefeitos mato-grossenses devem seguir o governador Pedro Taques, e se filiar ao PSDB. Preocupados com o possível descontrole de filiações, o diretório estadual da sigla, presidida pelo deputado federal Nilson Leitão, irá montar uma comissão – formada pela executiva regional, os três deputados estaduais e pessoas da confiança do governador – para mapear os municípios e definir quem pode se filiar ao partido ou não.
O anúncio da criação da comissão foi feito por Leitão, minutos após o evento de filiação de Taques, realizado na manhã do dia 29 de agosto, em Cuiabá. O número de quantos prefeitos e políticos devem ser acolhidos no ninho tucano ainda é incerto.
“Nós vamos sentar, com muita tranquilidade. Não estamos preocupados com quantidade, mas, sim, na qualidade. É normal quando um governador troca de partido, muita gente acompanhá-lo. O que queremos é poder trazer aqueles prefeitos que tenham o perfil do PSDB”, ressaltou Leitão.
Segundo Leitão, a migração partidária de prefeitos de Mato Grosso já estava sendo discutida e conversada antes da confirmação da decisão do governador.
“Mesmo antes da filiação do Pedro Taques, já havia a expectativa da vinda de sete a oito prefeitos. Com a vinda do governador, é claro que esse número vai extrapolar, temos que ter muito cuidado. Muitos querendo vir, outros sendo convidados. Então, devemos criar um critério, pois existem conflitos locais. Às vezes temos um bom prefeito que quer vir, mas talvez a base do governo tenha uma liderança própria. Temos que respeitar as lideranças locais, também”, concluiu o tucano.
Taques, por sua vez, está preocupado em não “inchar” o partido e reforçou o desejo da sigla de que a sua adesão não provoque uma inflação de novos tucanos que não sejam alinhados ao projeto do partido. Atualmente, o PSDB possui apenas dois prefeitos no estado: Joel da JM, de Bom Jesus do Araguaia, e José Marra, de Araguaiana. Das adesões, são dados como certo os nomes dos gestores municipais: Adalto Zago, de Apiacás (PMDB), e Tony Rufatto (PMDB), de Paranaita.
“Em detrimento da quantidade, as democracias mais modernas buscam a qualidade dos seus quadros. Queremos que o PSDB possa não inchar, mas ter um crescimento razoável, que o partido, forte como é, exige e deseja”, declarou Taques em evento na manhã desta terça-feira (01.09).
Chegou com toda a pompa
“O meu nome é Pedro Taques, meu número é 45”. Na manhã deste sábado, quando assinou a ficha de filiação ao PSDB, Pedro Taques fez questão de demonstrar seu contentamento em ir para o ninho tucano. Entre amigos – pelo menos aparentemente – o chefe do Executivo estadual afirmou que será mais um soldado no partido. Como de costume, seu discurso foi repleto de frases de efeito, que arrancaram o aplauso de correligionários e políticos que acompanhavam o evento.
Além do presidente nacional do partido, senador Aécio Neves, a filiação do governador foi acompanhada por políticos do Estado e líderes nacionais, como o senador José Serra (SP), Marconi Perillo (governador de Goiás), Geraldo Alckmin (governador São Paulo), Beto Richa (governador Paraná), Reinaldo Azambuja (governador Mato Grosso do Sul), Simão Jatene (governador do Pará) e a senadora Ana Amélia (PP-RS).
O governador de Mato Grosso recebeu uma verdadeira enxurrada de elogios dos políticos que discursaram no evento na capital. Aécio, após Taques ter assinado a ficha de filiação, afirmou que o chefe do Executivo estadual não é “um homem cuja história se limita às fronteiras do estado; é um homem nacional. Você [Taques] é uma figura que deverá caminhar conosco pelo Brasil, para falar aos descrentes da política, que há jeito, sim”.
Já o governador Geraldo Alckmin declarou que a filiação de Taques será arma para pôr fim à “praga do PT”. “Hoje, com o ingresso do governador Pedro Taques ao PSDB, nós estamos alargando a esperança, alargando a confiança para ajudar o Brasil nesta sua quadra mais triste, que é essa praga que é o PT”.
Filiação ao PSDB pode revirar eleições em Cuiabá
A ausência do prefeito Mauro Mendes (PSB) na filiação de Pedro Taques foi bastante comentada nos bastidores políticos. Aliado do governador desde 2010, o gestor municipal mandou o presidente regional do seu partido e deputado federal Fábio Garcia representá-lo.
Nesta segunda-feira (31.08), momentos antes da abertura da audiência pública que discutiu a implantação da Parceria Público-privada (PPP) dos resíduos sólidos, o prefeito não justificou sua ausência, mas garantiu que está disposto a manter a aliança repetida nas últimas eleições (quando Taques estava no PDT), nas próximas eleições municipais, em 2016.
“Estou aberto a fazer qualquer aliança que seja do bem. Aquilo que nos une ao governador Pedro Taques é a vontade de fazer política com seriedade, aplicar corretamente o dinheiro público. Isso transpassa qualquer tipo de sigla partidária. Não é prerrogativa de sigla A, B ou C […] Respeitamos a decisão que ele tomou. O PSDB é um grande partido, assim como tantos outros. Nossa história continua. Acredito que isso não muda nossa relação, de amizade e lealdade”, afirmou o prefeito com exclusividade ao Circuito Mato Grosso.


