O carnaval 2026 é do Caveira e da Viradouro
Texto e fotos Valéria del Cueto
Esse ano aconteceu um fenômeno na Marquês de Sapucaí. O título de campeã do Grupo Especial do carnaval carioca é da Viradouro que homenageou seu mestre de bateria, Ciça.
Todo mundo ficou feliz com a justa homenagem ao sambista, cria do Estácio e tantas vezes campeão. Ele era o mestre da Bateria, por exemplo, do primeiro e único campeonato do Especial da Estácio de Sá, em 1992.
Ciça jogou nas 11 no desfile em sua homenagem. Estava na comissão de frente, passou pelo casal que conduz o pavilhão vermelho e branco de Niterói e, depois, partiu de moto para o início do desfile, repetindo o feito de 2007 de colocar seus ritmistas no alto do último carro alegórico, como havia feito em 2007, com o carnavalesco Paulo Barros.
Quase aos 70 anos o Caveira, como é conhecido pelos amigos, tomou o maior susto quando o enredo da Viradouro, de Tarcísio Zanon e pesquisa de João Gustavo Melo, foi anunciado na quadra ano passado.
A luz cenográfica da pista, utilizada pelas escolas, continua em evolução, com acertos e erros. A maior novidade de 2026 foi a digitalização do som da avenida.
Se nas posições de ponta das escolas filiadas à Liesa houve um raro consenso, o mesmo não dá para dizer das polêmicas envolvendo o enredo da estreante no grupo, a Acadêmicos de Niterói, com “Do alto do Mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”.
A agremiação caiu, mas causou. E serviu para mostrar como tem gente que não entende nada de carnaval, mas quer dar pitaco no trabalho alheio. O besteirol ocupou e alavancou as redes sociais.
Reclamaram da “politização” do carnaval, como se essa fosse a primeira vez que a comunidade do samba abordasse esse tipo de viés.
Muitos viraram censores, outros claramente não conheciam a poesia de Dorival Caymmy que diz “quem não gosta de samba, bom sujeito não é. É ruim da cabeça, ou doente do pé”.
Para desagrado dessa turma sem inspiração e conhecimento do processo carnavalesco, passou pela avenida mais um samba popular. O Acadêmicos de Niterói caiu, mas deixou sua marca na pista onde o presidente, quase vaiado pelos conservadores nos camarotes, ouviu a resposta dos setores populares que pediam “sem anistia” enquanto a agremiação se despedia do Grupo Especial.
A Unidos de Maricá, vencedora da Série Ouro, substitui a última colocada em 2027
ORDEM DO DESFILE DAS CAMPEÃS – Mangueira, Imperatriz, Salgueiro, Vila, Beija-Flor e Viradouro.
Quem abre o desfile é, novamente, a Mangueira. Ficou em sexto lugar com o enredo sobre Mestre Sacaca, do Amapá. Perdeu décimos na comissão de frente, mestre-sala e porta-bandeira, enredo e samba.
A Imperatriz Leopoldinense, de Leandro Vieira (campeão da Série Ouro com a União de Maricá) ficou com na quinta posição com “Camaleônico”, homenageando Ney Matogrosso, é a segunda escola a desfilar nas Campeãs. Em 2027 terá de escolher uma das duas agremiações para ser carnavalesco, assim como o coreógrafo Patrick Carvalho. A comissão de frente, mestre-sala e porta-bandeira e o samba-enredo foram penalizados na escola de Ramos.
O Salgueiro vem a seguir cantando a mestra que fez tantos amarem a festa, Rosa Magalhães. Foi justamente esse verso que tirou dois décimos do samba enredo e outro em alegoria e adereço.
Vila Isabel e a Beija-Flor perderam um décimo cada, ficando com 269,9. A Vila, cantando o sambista e pintor Heitor dos Prazeres, parceiro de Noel Rosa, perdeu o campeonato no quesito harmonia e ficou na terceira posição pela ordem de abertura de envelopes.
A Beija-Flor, que tentava o Bi com Bembé do Mercado, viu seu sonho ficar para 2027 com a perda de um décimo em alegorias e adereços, quesito que costuma ser forte na agremiação de Nilópolis.
A noite das campeãs será encerrada pela campeã do carnaval 2026. Com 270 pontos, a Viradouro de Niterói levantou a Sapucaí homenageando Ciça. Cria do morro de São Carlos foi passista, mestre-sala e quem há anos atua como mestre de bateria.
BOX
O desfile das Campeãs do RJ será transmitido no sábado, na TV globo e Globoplay no streaming a partir das 21h, horário de Brasília.
*Valéria del Cueto é jornalista, fotógrafa e gestora de carnaval. Da série “É carnaval”, do SEM FIM… delcueto.wordpress.com


















