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Por rentabilidade, lojas da Peugeot e da Citroën mudam para Leapmotor

Com vendas estagnadas e uma luta para manter a operação lucrativa, alguns concessionários da Peugeot e da Citroën – montadoras que integram o grupo Stellantis – têm trocado as bandeiras pela Leapmotor, nova marca chinesa do grupo. É o caso, por exemplo, de uma unidade da Citroën que ficava na Avenida das Américas, na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, que adotou a bandeira da fabricante chinesa.

Dados oficiais mostram um leve enxugamento das redes das marcas francesas ao longo de 2025. A Peugeot encerrou o ano com 168 concessionárias, ante 171 no fim de 2024. Já a Citroën fechou 2025 com 170 pontos de venda, frente a 174 no ano anterior.

Enquanto isso, a Leapmotor – que iniciou operações no Brasil em novembro de 2025 – soma 36 concessionárias no País e pretende ampliar sua presença nacional. Com isso, alguns concessionários fazem avaliação estratégica. Para eles, é mais interessante fechar uma operação de Peugeot e Citroën para abrir espaço à nova bandeira, apostando no crescimento do mercado de eletrificados e na construção de um portfólio sólido da novata.

Procurada, a Stellantis afirma que os ajustes na rede Peugeot e Citroën fazem parte de uma análise contínua de cobertura e conveniência da rede. “A Stellantis avalia de forma contínua a dimensão, a cobertura, a estrutura física e a conveniência para os clientes. A Peugeot fechou 2025 com 168 concessionárias, enquanto a marca Citroën, com 170 unidades, sem variação significativa, portanto. A Stellantis segue acompanhando a dimensão de suas redes de acordo com as demandas de mercado.”

A rede atual das marcas de origem francesa é muito maior do que na época anterior à Stellantis. Em 2021, as duas fabricantes se uniram à FCA para formar o grupo Stellantis. Em 2022, a Peugeot inaugurou quase 50 lojas, chegando a 168 revendas. A Citroën tinha 148 concessionárias em meados do mesmo ano, e à época estabeleceu meta de 180 unidades abertas até o fim do período. Assim, a troca de bandeira deve-se mais a uma estagnação de mercado do que a um fracasso na estratégia das empresas.

Em janeiro, a Peugeot emplacou 1.534 automóveis e comerciais leves no País, enquanto a Citroën licenciou 2.536 unidades. Como comparação, a soma das duas marcas (4.070 veículos) é inferior ao volume de vendas do VW T-Cross, o veículo de passeio mais vendido no mês passado, com 5.741 unidades. Embora janeiro tradicionalmente seja um período de retração nas vendas, concessionários ouvidos pelo JC afirmam que o momento das marcas exige atenção redobrada. Eles citam falta de expectativas sobre produtos efetivamente novos e com maior potencial de margem.

Vendas diretas

Um concessionário que preferiu não se identificar afirmou que vem estancando as perdas financeiras com Peugeot e Citroën por meio de lojas de outras marcas da Stellantis. Outro revendedor, também sob a condição de anonimato, acrescentou que as vendas diretas ainda complicam o quadro e geram pouco tráfego na loja. Nessa modalidade, o faturamento é feito diretamente a compradores como locadoras e frotistas, além de vendas para taxistas, produtores rurais e Pessoas com Deficiência (PCD), por exemplo.

“Desde outubro de 2024 as empresas (Peugeot e Citroën) adotaram uma política comercial mais agressiva, com vendas diretas sempre acima dos 74% desde então. A Peugeot chegou a atingir quase 92,7% em dezembro de 2024”, afirma o consultor Milad Kalume Neto, da K.Lume. “São valores elevados e que devem ser bem trabalhados sob pena de prejudicarem as marcas.”

Em janeiro de 2026, 75% das duas marcas foram feitas pela modalidade direta. É um patamar considerado alto para operações que buscam fortalecimento de marca e rentabilidade sustentável no varejo. No período, a média do mercado para a modalidade foi de 58,7%.

Segundo o consultor, estimativas indicam que ainda há rentabilidade nos produtos das duas marcas, mas dentro de uma faixa apertada. “Estima-se com base em alguns parâmetros que os veículos da Citroën estejam com margem positiva entre R$ 2,4 mil e R$ 7,5 mil, a depender do modelo, e os da Peugeot, entre R$ 3,5 mil e R$ 10,6 mil, também a depender do automóvel. Isso usando como base algumas informações disponibilizadas para a América do Sul.”

Alerta

Na avaliação de Kalume Neto, o desempenho acende um alerta. “As duas marcas caíram 48,5% em relação a dezembro, enquanto o mercado caiu 39,1%”, comparou. “A Citroën caiu um pouco mais e ambas acima do mercado.”

Estadão Conteudo

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