O núcleo financeiro de um esquema criminoso investigado por movimentar mais de R$ 90 milhões é alvo da Operação Legado, deflagrada pela Polícia Civil de Mato Grosso na manhã desta quinta-feira (15). A investigação apura suspeitas de lavagem de dinheiro, peculato, corrupção passiva e organização criminosa na gestão anterior da Prefeitura de Nossa Senhora do Livramento. Entre os alvos estão uma ex-secretária municipal, empresários, pessoas apontadas como laranjas e uma empresa.
Ao todo, são cumpridas 30 ordens judiciais, expedidas pelo Núcleo de Justiça 4.0 do Juízo das Garantias de Cuiabá, com base nas investigações da Delegacia Especializada de Combate à Corrupção (Deccor). A operação mobiliza aproximadamente 30 policiais civis das delegacias vinculadas à Diretoria de Atividades Especiais.
A investigação busca rastrear o dinheiro supostamente desviado de dois contratos firmados pela prefeitura: um para abastecimento da frota de veículos oficiais e outro para reforma de pontes de madeira no município. Segundo a Polícia Civil, as movimentações financeiras identificadas ultrapassaram R$ 90 milhões e incluem transações realizadas em contas de uma pessoa que já havia morrido à época. Ela era mãe do proprietário do posto de combustíveis e avó da proprietária da construtora que teria recebido valores de forma atípica.
A Operação Legado é um desdobramento da Operação Liberatio, deflagrada em 2024 pelo Núcleo de Ação de Competência Originária do Ministério Público de Mato Grosso (NACO/MPMT), que teve como alvos o então prefeito e secretários municipais. Nesta nova etapa, foram autorizados sete mandados de busca e apreensão, seis ordens de acesso a dados armazenados em dispositivos móveis e a proibição de a empresa investigada licitar e contratar com o poder público, especialmente com a Prefeitura de Nossa Senhora do Livramento.
A Justiça também determinou o bloqueio inicial de R$ 15,8 milhões em contas bancárias de pessoas físicas e jurídicas, além do sequestro de dois carros, uma motocicleta e um caminhão. Outra medida prevê que instituições financeiras impeçam a reativação ou o uso indevido das contas da pessoa falecida por terceiros. As diligências buscam reunir novas provas e identificar possíveis outros envolvidos no esquema.


