A Polícia Federal (PF) intensificou as diligências em dois inquéritos que investigam suspeitas envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho mais velho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Entre as medidas determinadas pela corporação estão o levantamento detalhado de todas as viagens nacionais e internacionais de Lulinha, a identificação dos pagadores das passagens aéreas e o cruzamento de dados para verificar os deslocamentos em que esteve acompanhado da lobista Roberta Luchsinger.
As investigações tramitam sob sigilo e foram detalhadas em documentos obtidos pelo jornal O Estado de S. Paulo. Além do rastreamento de viagens, a PF solicitou relatórios sobre vínculos societários, movimentações financeiras bancárias e registros de agendas e reuniões dos investigados em órgãos da administração pública federal.
Foco das investigações e apurações em andamento
Os dois inquéritos conduzidos pela Polícia Federal apuram frentes distintas:
- Primeiro inquérito: Investigam-se potenciais crimes de corrupção e tráfico de influência atribuídos a Lulinha e Roberta Luchsinger na suposta intermediação de um contrato voltado à área de cannabis medicinal junto ao Ministério da Saúde. O escopo inclui a análise de pagamentos ligados ao empresário Antônio Camilo Antunes (conhecido como “Careca do INSS”) e sua empresa do setor.
- Segundo inquérito: Apura uma suposta facilitação de negócios no governo federal em favor do empresário do setor tecnológico Cléber Ribas, cuja empresa firmou contratos no valor de R$ 53 milhões com o Ministério do Desenvolvimento Social (MDS).
Para concluir a coleta de provas, a PF solicitou ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça a prorrogação do prazo das investigações. Os pedidos foram apresentados em 2 de outubro, data em que se encerrou o prazo inicial de 60 dias, sob a justificativa de que o lapso temporal foi exíguo para a conclusão de todas as diligências determinadas, essenciais para o completo deslinde dos fatos.
Repercussão e posicionamento das defesas
A ampliação das medidas e a continuidade das apurações geraram reações severas por parte das defesas dos investigados. Os advogados de Fábio Luís criticaram o andamento do procedimento, afirmando que “faltou coragem” à Polícia Federal para arquivar o caso e sustentando que ele é investigado unicamente por ser filho do presidente da República, sem a existência de elementos probatórios consistentes contra ele.
Na mesma linha, a defesa de Roberta Luchsinger contestou a prorrogação e o escopo das diligências. “O inquérito quando aberto tem um objetivo determinado. Não é uma licença para investigar a vida de uma pessoa. Acho que o caminho natural deve ser o arquivamento das investigações”, declarou.


