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Polícia indicia suspeito e conclui que freira morta em convento foi estuprada

A Polícia Civil do Paraná concluiu nesta sexta-feira, 27, o inquérito sobre a morte da freira Nadia Gavanski, de 82 anos, e indiciou por quatro crimes o homem que invadiu o convento onde ela vivia, em Ivaí, na região dos Campos Gerais do Estado. A investigação apontou que a religiosa foi vítima de estupro qualificado e homicídio qualificado. O suspeito segue preso preventivamente, e a reportagem apurou que ele ainda não tem advogado.

De acordo com o delegado Hugo Santos Fonseca, responsável pelo caso, o relatório final confirmou a prática de crimes graves após a análise de provas periciais, depoimentos e imagens. “Após minuciosa investigação e análise de provas periciais, o investigado foi formalmente indiciado por uma série de crimes graves”, afirmou.

Segundo ele, o homem, de 33 anos, foi indiciado por homicídio qualificado “caracterizado pelo meio cruel e uso de recurso que dificultou a defesa da vítima, com as agravantes por a vítima ser maior de 60 anos e portadora de deficiência”. O delegado afirmou ainda que o indiciamento por estupro qualificado ocorreu “devido à extrema gravidade das lesões constatadas”.

O laudo pericial, conforme o delegado, revelou violência física e sexual. “O laudo pericial revelou um cenário de extrema violência física e sexual, indicando que a vítima, que possuía limitações motoras e de fala devido a um AVC prévio, foi subjugada sem qualquer chance de defesa”, detalhou.

Além disso, o investigado foi indiciado por resistência, após agredir policiais no momento da prisão, e por violação de domicílio qualificada, já que acessou o convento mediante escalada.

Vídeos e vestígios

As provas reunidas pela polícia incluem imagens de uma câmera de segurança instalada próximo ao convento e a gravação feita por uma testemunha logo após o crime. Os registros foram obtidos pelo Estadão.

Uma fotógrafa que trabalhava em um evento no local abordou o suspeito pouco depois da morte da freira. Desconfiada do comportamento dele, que apresentava nervosismo, roupas sujas de sangue e arranhões no pescoço, ela gravou parte da conversa de forma discreta. O homem afirmou que trabalhava no convento e que havia encontrado a religiosa já caída.

“Peça pra eles vim rápido (sic)… O mais rápido possível”, diz a fotógrafa em um dos trechos do vídeo. Em seguida, o homem afirma ter pulado o muro do convento e é confrontado pela testemunha: “Mas o senhor tinha dito que trabalha aqui na limpeza”. Pouco depois, após confirmar a declaração, o suspeito aparece caminhando pelo local.

As imagens e o vídeo ajudaram na identificação do suspeito. Vestígios de sangue encontrado nas roupas dele também reforçaram a autoria, segundo o delegado. Além disso, uma gravação feita pela câmera de segurança mostra o homem pulando o muro do convento pouco depois do meio-dia daquele sábado.

“As provas colhidas, incluindo imagens de câmeras de segurança e vestígios de sangue na roupa do investigado, confirmam a autoria dos crimes”, afirmou o delegado.

Suspeito disse ter ouvido ‘vozes’

Durante o interrogatório, o investigado admitiu parte das agressões e declarou que teria agido sob influência de “vozes”, segundo a polícia. No primeiro depoimento, afirmou que passou a madrugada consumindo crack e bebida alcoólica e que pulou o muro do convento com a intenção de matar alguém após ouvir comandos.

“Embora o investigado tenha admitido parte das agressões durante o interrogatório, alegando ter agido sob comando de ‘vozes’, a perícia técnica refutou as versões que tentavam minimizar a natureza sexual dos atos cometidos”, afirmou o delegado Hugo Santos Fonseca.

Relembre o caso

O crime aconteceu na tarde de sábado, 21, no Convento das Irmãs Servas de Maria Imaculada, em Ivaí, a cerca de 210 km de Curitiba. Uma das irmãs do convento contou que, depois do almoço, a freira costumava ir até o local onde o crime aconteceu para alimentar galinhas.

Nadia Gavanski foi encontrada caída, com sinais de agressão e sem algumas peças de roupa. A freira teria tentado se defender do suspeito durante o ataque.

No primeiro momento, o suspeito deixou o local, mas foi identificado por meio das imagens gravadas pela fotógrafa e localizado em casa. Ao perceber a chegada da Polícia Militar (PM), tentou fugir e resistiu à abordagem com socos e chutes, mas foi contido em seguida.

O assassinato da freira aconteceu cerca de dois meses depois de o suspeito ter deixado a prisão. Ele foi detido no dia 28 de dezembro do ano passado por furto, mas deixou a cadeia dois dias depois.

O inquérito foi encaminhado ao Ministério Público do Paraná, que vai analisar o caso e decidir sobre o oferecimento da denúncia à Justiça. Somadas, as penas máximas previstas no Código Penal para os quatro crimes podem ultrapassar 50 anos de reclusão.

Estadão Conteudo

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