Ao menos cinco suspeitos de integrar o grupo que planejava um ataque com uso de bombas caseiras na Avenida Paulista, um dos principais cartões-postais de São Paulo, foram detidos na tarde desta segunda-feira, 2, quando já estavam no Parque Trianon, bem em frente ao Museu de Arte de São Paulo (Masp).
Um deles, um homem de 26 anos, foi preso em flagrante ao ser localizado com artefatos que seriam destinados à produção de explosivos do tipo “coquetel molotov”, segundo boletim de ocorrência ao qual o Estadão teve acesso.
O registro aponta que, ao ser questionado pela polícia, ele disse que montaria “coquetéis molotov para se defender”. O jovem estaria na posse de “óleo de motor, três garrafas de vidro, pedaços de pano e isqueiro”. A defesa dele não foi localizada.
Os outros quatro – três homens e uma mulher – foram liberados após prestar depoimentos no 78º Distrito Policial (Jardins). Segundo o B.O., eles portavam itens como sinalizadores, isqueiros e cartazes para o que diziam ser uma manifestação, intitulada “Manifestação Gen Z Acorda Brasil – Fora Corruptos”.
“Não tinha pauta nenhuma, mas eles (os alvos da operação desta segunda) queriam tumultuar, angariando pessoas para fazer uma manifestação e para fazer um tipo de atentado”, afirmou, em coletiva realizada nesta segunda, o delegado Osvaldo Nico Gonçalves, à frente da Secretaria da Segurança Pública do Estado (SSP).
Como mostrou o Estadão, a Polícia Civil de São Paulo realizou uma ação para impedir o possível ataque a bomba que estava sendo planejado para a Avenida Paulista. Em paralelo, um plano do tipo também foi desmobilizado no Rio.
Conforme balanço da Secretaria da Segurança Pública, 12 suspeitos de participar da ação em São Paulo, com idades entre 15 e 30 anos, foram identificados e conduzidos para prestar esclarecimentos.
Informações preliminares indicam que os cinco detidos no Parque Trianon não estão entre os alvos da operação, uma vez que não eram considerados lideranças do grupo, mas teriam sido abordados por policiais militares diante do alerta de que poderia ocorrer um ataque na Avenida Paulista.
Mais cedo, a Polícia Civil do Rio informou que impediu um ataque terrorista que seria realizado também nesta segunda com o uso de bombas caseiras e coquetéis molotov no centro da capital fluminense.
A ação planejada por lá era uma manifestação antidemocrática a ser realizada em frente à Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). Três suspeitos foram detidos. As investigações apontam relação direta entre os identificados no Rio e em São Paulo.
Trabalho de antecipação
No caso de São Paulo, a ação desta segunda resulta de um trabalho de inteligência do Núcleo de Observação e Análise Digital (Noad), braço da Polícia Civil que monitora possíveis comportamentos criminosos nas redes sociais. “É um trabalho de antecipação, de chegar na frente antes que aconteça”, disse o secretário da Segurança.
Com apoio da Divisão de Crimes Cibernéticos (DCCiber), os investigadores do núcleo identificaram que os alvos envolvidos atuavam a partir da capital e de cidades da região metropolitana e do interior do Estado.
Os suspeitos repassavam informações e instruções a outros membros do grupo. Seis deles tinham poder de comando e ao menos um foi encontrado com simulacros de arma de fogo, segundo informações preliminares.
De acordo com o delegado-geral da Polícia Civil, Artur Dian, os suspeitos instruíam inclusive como os participantes do grupo poderiam identificar policiais infiltrados durante eventuais manifestações, em espécie de “manual de instrução” dos ataques.
“Durante semanas, os participantes compartilharam vídeos e instruções detalhadas sobre a fabricação e o lançamento de artefatos explosivos improvisados”, afirmou a Secretaria da Segurança Pública.
“Estamos analisando se os atos preparatórios configuram crime, em ocorrências que estão (sendo registradas) nas respectivas delegacias, tanto em São Paulo quanto no interior, para saber quais serão os próximos passos. Os indivíduos estão sendo ouvidos”, disse Dian.
Rede de alcance nacional
A Secretaria da Segurança Pública afirma que as investigações apontaram que o grupo monitorado integra uma rede de alcance nacional, com mais de 7 mil participantes, para discussão de ações violentas em diferentes regiões do País.
“Apesar da abrangência, foi identificada uma concentração significativa de mobilização nos Estados de São Paulo e do Rio”, diz a pasta.
As investigações apontaram que, em São Paulo, a comunidade virtual que seria usada como principal espaço para organização do ataque planejado para a Avenida Paulista reunia quase 600 integrantes. As investigações prosseguem.


