A Petrobras informou na terça-feira, 6, que identificou um vazamento durante a perfuração de um poço na bacia da Foz do Amazonas, na Margem Equatorial brasileira, localizado a cerca de 175 quilômetros da costa do Estado do Amapá.
O incidente ocorreu no domingo e envolveu duas linhas auxiliares que conectam a sonda de perfuração ODN II, no poço Morpho, segundo informou a estatal. “A perda do fluido de perfuração foi imediatamente contida e isolada. As linhas serão trazidas à superfície para avaliação e reparo”, explicou a companhia.
Segundo a Petrobras, que obteve a licença de perfuração da área em outubro do ano passado, não há problemas com a sonda ou com o poço, que permanecem em total condição de segurança. “A ocorrência também não oferece riscos à segurança da operação de perfuração”, garantiu a estatal.
A Petrobras afirmou ainda ter adotado todas as medidas de controle e que notificou os órgãos competentes. Segundo a companhia, o fluido utilizado atende aos limites de toxicidade permitidos e é biodegradável; portanto, não haveria dano ao meio ambiente ou às pessoas.
Segundo o presidente do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Rodrigo Agostinho, não houve vazamento de óleo no bloco da área da Margem Equatorial licenciado para a Petrobras no ano passado.
“É um material viscoso, de baixa toxicidade, usado em todas as perfurações. Eles imediatamente suspenderam as atividades e fecharam o poço. O poço está lacrado, eles devem agora fazer os reparos e depois retomar as atividades”, disse Agostinho.
RESISTÊNCIA
A exploração de petróleo na Foz do Amazonas, que faz parte da Margem Equatorial, é duramente criticada por ambientalistas e órgãos de proteção ambiental justamente pelo risco que eventuais vazamentos de óleo representam à rica biodiversidade da região. Ao mesmo tempo, a área é considerada por especialistas do setor de petróleo extremamente importante pelo seu potencial de produção.
A concessão de licença ambiental para a Petrobras perfurar um poço exploratório em águas profundas do Amapá, na Margem Equatorial brasileira, em outubro do ano passado, pôs fim a uma disputa que se arrastava havia quase cinco anos entre a estatal e o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis.
A Margem Equatorial é uma área que se estende do litoral do Rio Grande do Norte ao Amapá. Por ter características geológicas semelhantes às áreas de produção de petróleo da Guiana e do Suriname, onde foram descobertas grandes reservas, é considerada estratégica pela Petrobras para manter seus níveis de produção e repor reservas com o declínio de áreas como as do pré-sal no futuro.
A Agência Nacional de Petróleo (ANP) estima que a área da Foz do Amazonas tem potencial de produção de 30 bilhões de barris de petróleo equivalente. (COM RENAN MONTEIRO/BRASÍLIA)


