O Ibovespa se segurou no nível dos 129 mil pontos nesta tarde, apoiado na valorização de 3% do petróleo e na expectativa de negociações entre Estados Unidos e China. A sessão foi de liquidez reduzida por conta da véspera do feriado, mas o vencimento de opções sobre ações ajudou a segurar o fluxo financeiro próximo da média. Na semana mais curta, a Bolsa acumulou valorização de 1,54%, apesar de ainda recuar 0,47% no mês de abril.
O Ministério do Comércio da China disse que segue aberto ao diálogo com os EUA, com base no “respeito mútuo”. Em resposta, o presidente Donald Trump disse acreditar que fará “um bom acordo” com Pequim.
A possibilidade de arrefecimento das tensões comerciais, com sinalizações que são “importantíssimas”, ajudou no apetite para a Bolsa nesta quinta-feira, segundo o analista Matheus Spiess, da Empiricus Research. Ele enfatiza, contudo, que boa parte da alta também está relacionada ao desempenho dos “pesos pesados” no interior do Ibovespa, como Petrobras (ON +2,57%, PN +1,92%), na esteira do avanço da commodity.
A contínua fraqueza do dólar, o otimismo em torno das negociações comerciais e os planos atualizados da Organização dos Países Exportadores de Petróleo e aliados (Opep+) deram suporte aos preços do petróleo, que avançou 3,53% (WTI) e 3,20% (Brent). A avaliação é de Janiv Shah, da Rystad Energy.
Petrobras inclusive anunciou que o preço do diesel em suas refinarias terá queda de 3,3% a partir de amanhã. Apesar de o anúncio indicar redução de ganhos para a companhia, a Ativa Investimentos pondera que as ações não foram afetadas negativamente, porque a redução do diesel está em linha com os números da Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom) e do Centro Brasileiro de Infraestrutura (Cbie) em relação ao nível de preços domésticos frente aos internacionais.
Já o fator técnico de vencimento de opções sobre ações também propiciou a alta na Bolsa, segundo Spiess. “O vencimento de opções eleva o volume. Se tiver dia com natureza ruim, vai exacerbar para o lado negativo. E o contrário também acontece”, observa.
Por fim o giro financeiro de R$ 22,3 bilhões ficou na média diária de negócios. Nesta quinta-feira, o Ibovespa fechou em alta de 1,04%, aos 129.650,03 pontos.
Dólar
O dólar aprofundou o ritmo de queda no mercado local ao longo da tarde desta quinta-feira, 17, em sintonia com o movimento das divisas emergentes no exterior e a ampliação dos ganhos do petróleo, diante de sinais de arrefecimento da guerra comercial entre Estados Unidos e China.
Com mínima a R$ 5,7974, a moeda norte-americana encerrou a sessão em baixa de 1,05%, a R$ 5,8037 – menor valor de fechamento desde 3 de abril (R$ 5,6281), dia seguinte ao anúncio do tarifaço do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, marcado por depreciação global do dólar. A divisa termina a semana, mais curta em razão do feriado da Sexta-feira Santa, com perdas de 1,14%.
O real, que nas últimas sessões sofreu mais que seus pares, apresentou nesta quinta o segundo melhor desempenho entre as divisas emergentes mais relevantes, atrás apenas do peso mexicano. Moedas de países exportadores de commodities como dólar australiano e neozelandês também se apreciaram.
“O fato de Trump ter mostrado hoje disposição para um acordo comercial com a China está impulsionado as moedas emergentes”, afirma a economista-chefe do Ouribank, Cristiane Quartaroli. “O real é favorecido para valorização mais acentuada do petróleo, porque o Brasil é um grande exportador.”
No início da tarde, antes de encontro com a primeira ministra da Itália, Giorgia Meloni, Trump afirmou que acredita na possibilidade de fechar um “bom acordo com a China”. Em entrevista coletiva na Casa Branca após a reunião, o presidente americano disse que as negociações tarifárias com outros países tem avançado.
O secretário do Tesouro, Scott Bessent, revelou que a Coreia do Sul será o foco na próxima semana, com a Índia entrando na pauta em breve. Ele disse ainda que já há interlocução com a União Europeia.
Pela manhã, o ministério do Comércio da China, embora tenha ressaltado que a guerra comercial foi iniciada por Washington, a quem caberia por fim “à coerção e a chantagem”, afirmou que permanece aberto ao diálogo com os EUA tendo como base o “respeito mútuo” entre os países.
O economista-chefe da Western Asset, Adauto Lima, observa que as moedas da América do Sul tiveram uma depreciação forte logo após o início do tarifaço, com temores relacionados ao impacto da guerra comercial sobre a economia chinesa e os preços das commodities.
“Como a visão sobre a China melhorou nos últimos dias, essas moedas e o real tiveram um alívio”, afirma Lima, ressaltando que o ambiente é ainda de muita incerteza, o que pode provocar picos de volatilidade.
O economista ressalta que a administração Trump resultou em um aumento de prêmio de risco embutido nos ativos americanos, o que tende a levar a um realocação global de capital, que pode até beneficiar emergentes.
“Mas ninguém sabe o quanto a retração esperada da atividade nos EUA vai se espalhar para outras economias. E como vai ser essa realocação de recursos”, afirma Lima, acrescentando que o comportamento das divisas latino-americanas tende a seguir atrelado às expectativas sobre a China.
Termômetro do comportamento do dólar em relação a uma cesta de seis divisas fortes, o índice DXY rondava a estabilidade no fim do dia, na casa dos 99,300 pontos. O euro teve leve depreciação após o Banco Central Europeu (BCE) cortar, como esperado, suas principais taxas de juros em 25 pontos-base. O Dollar Index recua mais de 4% no mês e de 8% no ano.
O Bradesco avalia que a guerra comercial levará a uma desaceleração da economias chinesa e americana, o que deve deprimir a atividade global. Em tese, uma desaceleração do crescimento na China “tenderia a causar uma depreciação do real, uma vez que a demanda pelas exportações brasileiras seria menor”.
O banco pondera, contudo, que os produtos exportados à China “são um pouco menos sensíveis aos ciclos econômicos” e que espera estímulos chineses ao consumo, o que “tende a preservar as importações de alimentos”.
“Ao longo dos anos, o petróleo e os alimentos se tornaram mais importantes do que o minério de ferro na pauta exportadora. Além disso, nossa visão de dólar mais fraco no âmbito global nos permite reduzir nossa projeção de câmbio para o final de 2025 e de 2026 para R$ 5,80”, afirma o banco, ressaltando que espera “elevada volatilidade ao redor da projeção central”.
Juros
Os juros futuros fecharam o dia sem direção única, com as taxas curtas mostrando viés de alta e as demais em queda, com a curva perdendo inclinação. A liquidez seguiu abaixo do padrão, refletindo a falta de apetite na montagem de posições antes do feriado prolongado. Com os juros dos Treasuries subindo de um lado e o dólar caindo, de outro, as taxas locais estiveram em boa medida a mercê de fatores técnicos relacionados ao grande leilão de prefixados do Tesouro.
No fechamento, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2026 estava em 14,775%, de 14,730% ontem no ajuste, e a do DI para janeiro de 2027 subia a 14,23%, de 14,19%. A taxa do DI para janeiro de 2028 estava em 13,97% (de 14,00%) ontem no ajuste, e a do DI para janeiro de 2029 recuou de 14,11% para 14,06%.
Na semana, a curva também perdeu inclinação, com recuo em todas as taxas, mais acentuado nos vencimentos longos, uma vez amplificados os temores com a recessão global, que, se confirmada, tende a deprimir os preços de commodities e a estimular um alívio na política monetária dos principais bancos centrais.
A influência dos Treasuries sobre a curva local foi limitada. Os yields subiram de forma moderada, após novos sinais de força do mercado de trabalho do país apontada pela queda dos pedidos de auxílio-desemprego. Os mercados de títulos dos EUA fecharam mais cedo e permanecerão fechados na Sexta-feira Santa. Na segunda-feira, os negócios serão retomados enquanto no Brasil a B3 estará fechada em função do feriado em homenagem a Tiradentes. O dólar cedeu na esteira do avanço dos preços do petróleo, fechando aos R$ 5,8037, o que é boa notícia para o cenário de preços.
Para o economista-chefe da Ativa Investimentos, Étore Sanchez, a curva longa cedeu em boa medida em função do leilão do Tesouro. “Foi um leilão gigante nas NTN-F e na LTN 2029. Quem fica comprado no papel tem de fazer a contraparte no DI”, afirmou.
O Tesouro vendeu integralmente os lotes de 20 milhões de Letras do Tesouro Nacional (LTN), sendo a maior parte, 12 milhões, concentrada no vencimento de 1/1/2029, e de 5 milhões de Notas do Tesouro Nacional – Série F (NTN-F). O risco para o mercado (DV01) ficou em R$ 5,4 milhões. “Foi o maior leilão de prefixados desde 20 de março, em DV01”, informou a equipe de renda fixa da XP.
Não fosse o efeito do leilão, a ponta longa estaria mais pressionada pelo risco fiscal crescente, na opinião de Sanchez. “O noticiário não é favorável, vide os orçamentos pouco factíveis que retomam à era Dilma e que vão minando a credibilidade fiscal”, disse o economista.
Os vencimentos curtos mostraram mais rigidez, apesar do forte alívio do câmbio e do novo reajuste para baixo nos preços do diesel, anunciado pela Petrobras. O efeito mais direto é sobre os preços no atacado, via frete, devendo chegar mais diluído nos preços ao consumidor.



