Uma perícia encomendada pela defesa do ministro Blairo Maggi atestou que ele não apagou mensagens de seu celular, após a deflagração de uma das últimas fases da Operação Ararath. O documento foi protocolado no Supremo Tribunal Federal (STF) na tarde desta quinta (13). As informações foram dadas pelo jornal Estadão.
Segundo o jornal paulista, o documento aponta que Blairo não instalou uma ferramenta chamada WhatsAp Web Desktop. Segundo os peritos, a ferramenta (que é instalada em um computador) é a única forma de excluir mensagens de forma remota. A perícia foi feito quatro peritos do Instituto Brasileiro de Perícias.
O celular de Blairo foi apreendido na deflagração da Operação Malebolge – décima segunda fase da Ararath – há exato um ano. Na ocasião, ele foi um dos alvos da delação do ex-governador Silval Barbosa. O delator revelou um esquema de compra e venda de cadeiras do Tribunal de Contas do Estado (TCE) para que um aliado político ocupasse uma das vagas deixadas por um dos cinco conselheiros.
Além de Blairo, o celular de sua esposa Terezinha Maggi também foi apreendido. O casal tentou reaver os aparelhos. Mas, em sua última decisão, o ministro Luiz Fux (que é o relator do processo no STF) negou o pedido.
Para o magistrado, há indícios de que as mensagens em contatos e grupos de WhatsApp de Terezinha e Blairo foram apagadas do telefone no mesmo dia da deflagração da Malebolge e quando o aparelho já estava em posse dos policiais.
A Polícia Federal ainda tenta entender o ocorrido e investiga a situação. A suspeita é que as mensagens tenham sido apagadas remotamente. Os agentes dizem também que conversas particulares não foram localizadas no Whatsapp de Maggi – nem mesmo as familiares.
Mas, segundo o documento apresentado pelos peritos, a única forma de deleção é a física. Ou seja, alguém apagou as mensagens do próprio celular quando estava apreendido pelos policiais. Isto, por que se o WhatsAppp de Blairo estivesse conectado e sincronizado a um computador, o histórico no aplicativo de mensagens no aparelho telefônico mostraria a conexão e, consequentemente, a possibilidade de Maggi (ou alguém a mando dele) tenha excluído as mensagens de forma remota.
"Considerando que não foram apresentadas evidências de que o ‘WhatsApp Web’ estaria configurado e em uso, seja no aparelho analisado, seja em outros dispositivos apreendidos em poder do consulente, que seria a única hipótese de apagamento pela via remota, a única forma possível de delação, caso tenha ocorrido, é a deleção física, mediante procedimentos locais, isto é, após a apreensão do aparelho celular", diz trecho da perícia.
Blairo e seu advogado Fábio Galindo se manifestaram ao Estadão. A defesa disse que o fato da exclusão de mensagens serem física é gravíssimo e merece imediata apuração. “O caso revela descuido e erro crasso de procedimentos ou o que é muito pior, má-fé e prova forjada”, disse Galindo.
Por meio de sua assessoria, Blairo disse que vem "rechaçando a acusação" desde a apreensão dos celulares e da suspeita de deleção remota.
No dia da deflagração da Malebolge, Fux autorizou buscas de mandado e apreensão nos imóveis de Blairo Maggi em Mato Grosso e no Distrito Federal. O atual ministro do Governo Federal é um dos acusados que buscava obstruir as investigações para que não fossem produzidas provas contra si próprio, segundo o STF.
No início de maio, Blairo e o conselheiro afastado Sérgio Ricardo foram denunciados pela Procuradoria Geral da República com base nesse caso. Eles são acusados de corrupção ativa. A entidade pediu que fossem determinadas a perda da função pública e a reparação do dano patrimonial no valor de R$ 4 milhões, além de indenização por dano moral coletivo.
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