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Para Stellantis, governo deveria fazer mais para barrar avanço de chineses

Automóveis de marcas chinesas já são quase 10% do total de veículos vendido no Brasil. A questão levantada por algumas montadoras estabelecidas no País há mais tempo é que a maior parte desse volume é representada por carros importados. “Enquanto algumas marcas conquistaram essa parcela das vendas, alguém perdeu espaço – e provavelmente é uma empresa que produz carros no Brasil”, diz Herlander Zola, COO da Stellantis América do Sul, holding que no Brasil engloba as marcas Fiat, Jeep, Ram, Peugeot e Citroën.

De acordo com o executivo, com isso, a geração de empregos e a compra de insumos e componentes no Brasil cai, ameaçando a indústria local. “O que foi feito (pelo governo) até agora não é o suficiente para garantir que a gente tenha condições saudáveis”, apontou em entrevista ao programa do Jornal do Carro na Rádio Eldorado.

Ele se refere à retomada da alíquota de até 35% do Imposto de Importação de kits CKD (peças desmontadas) e SKD (conjuntos montados). Em julho de 2025, o governo federal baixou os tributos para trazer esses kits do exterior. As alíquotas voltaram ao normal em fevereiro. Algumas marcas asiáticas, como a BYD – que tem fábrica na Bahia -, se apoiam nesse método de produção.

Zola diz que, caso o governo não tome atitudes mais severas para barrar o avanço dos carros e componentes importados, pode afetar de forma severa o mercado local. “Se toda empresa perceber que vale a pena trazer conjuntos importados da China, teremos um grande impacto na geração de empregos e na cadeia de valor.”

‘Cavalo de troia’

Além da Stellantis, queixas semelhantes vieram também da Volkswagen. Recentemente, o CEO e presidente da Volkswagen do Brasil, Ciro Possobom, disse que a tática de algumas marcas chinesas é perigosa para a indústria local.

O executivo comparou a situação ao “Cavalo de Troia” – que, na mitologia grega, foi um presente dado aos troianos, mas cheio de soldados gregos para destruir a cidade por dentro. “O volume de carros importados no ano passado substituiu a produção de três fábricas no Brasil”, afirmou, ressaltando o impacto negativo nos empregos e na geração de renda. O executivo lembrou que foram trazidos do exterior mais de 500 mil veículos, “a maioria por marcas sem produção local efetiva”.

O intenso movimento de importação ocorreu para aproveitar os descontos de impostos para modelos elétricos e híbridos – válidos até o meio deste ano.

Possobom observa que o patamar de estoques no Brasil subiu excessivamente, de uma média de 200 mil unidades para mais de 350 mil veículos. “Mais de 80% desse volume são carros chineses”, estima.

“Se a empresa faz muito estoque e não consegue vender rápido, começa a liquidar o preço. Isso destrói valor para todo o segmento e atrapalha as empresas que têm investimentos de longo prazo no País”, diz, lembrando que a Volkswagen aportará R$ 20 bilhões na América do Sul até 2028.

O presidente da marca de origem alemã também afirmou que “há marcas trazendo carros para o Brasil sem fazer todos os testes necessários”, acusando algumas entrantes de acelerar lançamentos sem o devido compromisso com a qualidade. “Enquanto rodamos 100 mil km em testes, algumas empresas rodam 50 mil km. Elas não fazem como nós, que submetemos o carro a dois invernos e a dois verões para ver como os materiais reagem a diferentes temperaturas.”, disse o executivo a jornalistas.

Estadão Conteudo

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