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Pai de Gerson rebate torcida do Flamengo e cita questão racial: ‘Não aceitam onde o negro está’

Alvo de hostilidades por parte da torcida do Flamengo nas dependências do Maracanã durante a vitória do time carioca sobre o Cruzeiro por 2 a 0, na noite desta quarta-feira, Marcão, pai e empresário do meia Gerson, (que agora defende o time mineiro) divulgou uma postagem para comentar o episódio e citou as provocações tiveram um cunho racista.

“Eles não estavam ali reclamando pelo que eu fiz ou deixei de fazer, mas por quem sou eu e pelo meu trabalho. Pessoas não aceitam o lugar em que o negro está”, afirmou Marcão em referência ao fato de ter tido uma origem humilde e agora figurar em um posição social confortável, disse em um trecho do vídeo.

Nas redes sociais, primeiro ele foi filmado deixando o estádio e demonstrou tranquilidade ao ser questionado sobre o comportamento da torcida rubro-negra. “A turma ficou um pouquinho nervosa lá, mas tá tranquilo. Sem ressentimento. Respira que é de graça porque a vida não tem replay”, disse.

Depois, ele próprio gravou um pronunciamento trajando uma roupa social e à frente de uma piscina. “Estou passando aqui para agradecer a todos que se solidarizaram ao acontecimento no Maracanã. Vou dizer a vocês que as pessoas que fizeram aquilo comigo não são torcedores do Flamengo porque eles deixaram de assistir ao jogo, comemorar a vitória do seu time, para querer me xingar e hostilizar.”

Em sua narrativa, o pai do jogador disse estar acostumado a sofrer esse tipo de discriminação e encerra a publicação agradecendo as mensagens de solidariedade que recebeu. “Quero dizer a vocês que eu estou bem. Estou acostumado com essas situações, de ter que lutar pelo que é meu. Mas pessoas estranhas e de vários lugares me mandaram mensagens. Agradeço e digo que estou pronto para trabalhar”.

Marcão foi atingido por copos de cerveja e garrafas atiradas pela torcida do clube carioca. O episódio aconteceu ainda no primeiro tempo do confronto. Diante do ocorrido, ele foi retirado do Setor Maracanã Mais, lugar em que acompanhava o jogo, por seguranças e escoltado por policiais presentes no estádio. Durante a disputa, Gerson foi chamado de “mercenário” pelos donos da casa.

Gerson deixou o Flamengo em julho do ano passado, após o Zenit, da Rússia, desembolsar 25 milhões de euros (cerca de R$ 159,2 milhões na cotação da época) para pagar a multa rescisória do atleta.

Pouco antes, o meio-campista havia renovado o contrato com os cariocas, movimento que baixou o preço da sua multa de 200 milhões para 25 milhões de euros. A ação facilitou a saída do jogador para o exterior, situação que irritou a torcida flamenguista. Sem conseguir brilhar fora do País, o atleta decidiu retornar ao Brasil e acertou com o Cruzeiro.

Estadão Conteudo

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