Opinião Renato Paiva

Os velhos e o poder

A imprensa americana informa que o Trump anda cochilando nas reuniões do Salão Oval. Mostra também, nas mãos do presidente, escuras manchas que a pesada maquiagem não consegue disfarçar. Este, com medo de ser chamado de velho, esconde a mão lesada e, indagado, atribui o dano ao exagerado consumo de aspirina nos últimos meses. 

Há pouco mais de um ano, a diversão do então candidato à presidência era destacar o acelerado processo de senilidade do Joe Biden, seu adversário. Na época, o Biden estava com oitenta e poucos anos, um pouco mais que a atual idade do Trump.

O cantor brasileiro Roberto Carlos ultimamente anda implicando com o público, passando pitos (não sei se ainda usa este termo) nos que não mantêm o desejado silêncio nas suas apresentações.

Mas, perguntarão os leitores, o que têm a ver Trump e Biden com Roberto Carlos? 

Eis que os três citados chegaram aos 80 anos (eu estou quase lá). Em decorrência do desgaste natural da idade, um dorme nas reuniões, outro esquece as palavras nos debates e o cantor fica cada vez mais ranzinza e impaciente com os fãs. 

O que foi escrito acima é só “encheção” de linguiça para introduzir o Lula na conversa. O demiurgo do PT, já passado desta provecta (outro termo antigo) idade, não se dá conta de que passou da hora de abrir espaço para pessoas mais jovens.

Mas não dá para nutrir esperanças de que fará isso. Nosso “ídolo”, além do incomum apego ao poder, tem uma noção própria e grosseira do desempenho que se espera de um líder. Frases ditas por ele, “pernambucano não deixa por menos” — quando se referia à gravidez rápida da Marisa Letícia — e “pergunta pra Janja” — gabando-se de seu desempenho — mostram os atributos que ele mais valoriza. 

Mas o Lula, entre presidentes brasileiros, não está sozinho ao destacar o desempenho sexual como vantagem. O Bolsonaro se dizia “imbrochável” e o Fernando Collor gabava-se de ter “aquilo roxo”.  Não sei qual a autoimagem destes dois últimos atualmente.

Não há como esquecer a idade na vida das pessoas. Assim como as pernas bambeiam, os braços enfraquecem e a vista cansa, o cérebro também definha. Alguns rapidamente, outros mais devagar, mas a partir dos 70 o processo se acelera. 

Se os políticos, gabolas por natureza e pródigos na autoavaliação, não conseguem se ver como um ser humano comum com suas limitações (e a idade é uma delas), deveria partir do povo a ordem de retirada da vida pública, negando-lhes votos.

O Lula passou da idade de pleitear um quarto mandato. Se ele o conseguir, a nação corre um sério risco institucional, como afirmou no final de 2025 o jornal britânico The Economist.  

Recomendo ao Lula e aos eleitores dele dois textos: o primeiro é da Bíblia: “Ao homem foi dado viver 70 a 80 anos, o que passa disto é enfado e cansaço”. O outro, um verso de Shakespeare, o famoso poeta inglês: “Contra a foice do tempo é vão combate”.

Renato de Paiva Pereira.  

Renato Paiva

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