Opinião Renato Paiva

Os Salvadores e seus bordões. 

Tudo indica que estão definidos os candidatos à presidência da república com chances de vitória nesta eleição de 2026. Pelo menos é o que mostram as pesquisas eleitorais: em sondagem de segundo turno, Flávio Bolsonaro e Lula estão empatados.

Mas há uma turma se movimentando ainda com a esperança de lançar um terceiro concorrente. Encabeçado pelo Gilberto Kassab (PSD), o plano é fazer uma pré-campanha com os governadores Ratinho Jr, Ronaldo Caiado e Eduardo Leite e destes escolher o mais viável, que contaria com o apoio dos outros dois. Parecem-me remotas as chances de sucesso do plano. Os três são bem avaliados nos estados que governam, mas os eleitores estão menos preocupados com a capacidade dos candidatos e mais com a paixão política: 44% amam o Lula, 43% veneram o Bolsonaro.

Quando o povo se apaixona por um político, é difícil mudar de ideia. Durante esta minha já longa vida (no dizer de Mário Quintana), vi alguns exemplos. Em 1960, o então mato-grossense Jânio Quadros, com uma vassoura na lapela, levava a mensagem de varrer a corrupção. Encantou o povo e elegeu-se. Renunciou em menos de um ano, sendo o responsável direto pela ditadura que durou 21 anos. Mesmo assim, anos depois, foi eleito prefeito de São Paulo.

No ano de 1989, um outro falastrão, este vindo de Alagoas, criou um bordão prometendo caçar os marajás do serviço público. De novo, as bravatas seduziram o povo. Eleito, adotou medidas irresponsáveis com confiscos e congelamentos. Só foi contido pelo impeachment aprovado pelo Congresso. Julgado por roubos, hoje está preso.

Mais uma vez a história se repetiria: em 2018, foi eleito o Bolsonaro, político vindo do baixo clero, onde ficou 28 anos esquecido nas franjas da câmara. Percebendo que o povo adora mensagens grandiloquentes, misturou patriotismo com Bíblia e os eleitores vibraram com “Deus, Pátria, Família e Liberdade”. 

Para reforçar uma mensagem disruptiva, exibia com a mão o formato de um revólver e, nas falas, um versículo do Novo Testamento: “Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará.” 

Neste caso, tal qual Jesus Cristo, ele seria a verdade que liberta. Pela terceira vez, em um período de 50 anos, os brasileiros se apaixonaram pelo Messias errado.

O primeiro aventureiro morreu; o segundo está preso e doente, e o terceiro, doente, já deveria estar em prisão domiciliar. Só que, direta ou indiretamente, os três teriam aberto o caminho para o domínio da esquerda que ainda dura.

Os governadores que poderiam nos livrar dela (Caiado, Leite, Ratinho, Zema) não despertam o entusiasmo da população e o mais bem avaliado deles tem 7% da preferência dos eleitores. Resta-nos a triste sina de ir descartando os que têm capacidade para gerir o país até aparecer um outro aventureiro com um novo e vibrante bordão que empolgue o povo.

Entretanto, surge uma leve esperança: a delação do Vorcaro, que já está confirmada, pode detonar definitivamente governo e oposição e abrir caminho para alguém que não se contaminou com os desvios do Master.  

Renato de Paiva Pereira.

Renato Paiva

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