Um esquema de lavagem de dinheiro de lideranças de facção criminosa foi alvo de uma força-tarefa da Polícia Civil de Mato Grosso, que deflagrou nesta quinta-feira (26) a Operação Speakeasy. Ao todo, foram cumpridas 100 ordens judiciais em diferentes cidades, com o objetivo de desarticular uma rede financeira ligada ao crime organizado. As ações ocorreram em Cuiabá, Várzea Grande, Pontes e Lacerda, além de Goiânia (GO) e Barueri (SP).
Entre as medidas judiciais estão 12 mandados de prisão preventiva, 12 de busca e apreensão, 35 sequestros de veículos, 29 bloqueios de contas bancárias e a suspensão de 12 empresas. As ordens foram expedidas pela Vara do Juízo das Garantias da Comarca de Cuiabá.
As investigações foram conduzidas pela Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO) e pela Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco), com apoio de unidades especializadas. O trabalho teve início em 2024, após a identificação de um veículo registrado em nome de uma empresa que estava sendo utilizado por um líder de facção criminosa, o que levantou suspeitas sobre a ligação entre o negócio e atividades ilícitas.
A apuração revelou que o grupo utilizava empresas de fachada, principalmente nos setores de distribuição de bebidas alcoólicas, comércio de joias e eletrônicos, para ocultar a origem de recursos ilegais. Mesmo sem renda formal declarada, os investigados ostentavam patrimônio elevado, incluindo carros de luxo e imóveis. A movimentação financeira do esquema é estimada em cerca de R$ 200 milhões entre 2021 e 2025.
Durante a operação, foram apreendidos veículos, joias, celulares e computadores, que passarão por análise. Segundo a Polícia Civil, o nome “Speakeasy” faz referência a bares clandestinos da época da Lei Seca nos Estados Unidos, em alusão ao uso de distribuidoras de bebidas como principal mecanismo de lavagem de dinheiro no esquema investigado.


