Um esquema interestadual de golpes e fraudes digitais envolvendo clientes de um banco digital foi alvo de uma operação deflagrada na manhã desta terça-feira (19) pelas polícias civis de Mato Grosso, Goiás, Maranhão e Tocantins. Ao todo, são cumpridas 29 ordens judiciais, entre mandados de prisão preventiva, buscas e apreensões e bloqueio de bens que ultrapassam R$ 1,9 milhão.
A investigação é conduzida pela Delegacia Estadual de Repressão a Crimes Cibernéticos (DERCC), da Polícia Civil de Goiás, com apoio da Delegacia Especializada de Repressão a Crimes Informáticos (DRCI) de Mato Grosso. Os investigados respondem por crimes de invasão de dispositivo informático, furto mediante fraude eletrônica, organização criminosa e lavagem de dinheiro.
Em Mato Grosso, os mandados são cumpridos contra uma mulher apontada como líder do grupo criminoso. Durante as buscas na residência da suspeita, policiais apreenderam cerca de 10 quilos de skunk, conhecida como “supermaconha”, embalados a vácuo. O marido da investigada foi preso em flagrante por tráfico de drogas.
Segundo as investigações, o grupo utilizava um sofisticado esquema de fraude por meio da criação de sites falsos de um banco digital, impulsionados por anúncios patrocinados no Google. Quando as vítimas pesquisavam pela instituição financeira, o link fraudulento aparecia entre os primeiros resultados, simulando a página oficial do banco.
Ao acessar o site clonado, as vítimas inseriam dados bancários e validavam um QR Code acreditando se tratar de um procedimento legítimo. Nesse momento, os criminosos capturavam as credenciais de acesso em tempo real, técnica conhecida como “session hijack”, assumindo o controle das contas para realizar transferências Pix fraudulentas para contas de terceiros usadas como “mulas financeiras”.
De acordo com a polícia, o grupo possuía divisão estruturada de funções, com núcleos responsáveis pela criação dos sites falsos, movimentação financeira e lavagem de dinheiro. Até o momento, foram identificadas ao menos 19 vítimas e um prejuízo inicial de aproximadamente R$ 118 mil, embora as investigações apontem movimentações suspeitas superiores a R$ 4,8 milhões. O delegado da DRCI, Sued Dias Junior, alertou para os riscos de acessar links patrocinados e reforçou a importância da autenticação em dois fatores e da verificação cuidadosa dos endereços eletrônicos.


