Uma quadrilha especializada no tráfico de drogas e lavagem de dinheiro foi desarticulada pela Operação Conluio Pantaneiro, deflagrada pela Polícia Civil, após movimentar cerca de R$ 54 milhões em esquema criminoso e receber carregamentos que somam aproximadamente 2.700 quilos de pasta base de cocaína. As investigações apontam que o grupo utilizava empresas fantasmas para ocultar a origem dos recursos ilícitos e viabilizar a circulação do dinheiro.
De acordo com a delegada Bruna Laet, responsável pelo caso, os investigados utilizavam pessoas jurídicas de fachada e terceiros sem capacidade financeira para movimentar grandes quantias. A estratégia incluía diversas transações para dificultar o rastreamento dos valores, além do uso de empresas que não existiam de fato para dar aparência legal às operações.
Uma das principais empresas utilizadas pelo grupo em Mato Grosso atuava no ramo de instalação e manutenção de ar-condicionado, em Cáceres. O proprietário, de 43 anos, foi preso e, somente em 2023, movimentou R$ 4,8 milhões por meio de contas empresariais e pessoais. O grupo também recebia recursos de duas empresas laranjas sediadas em São Paulo, supostamente ligadas à área de assessoria administrativa, cujo responsável, de 55 anos, foi preso em Taubaté.
As investigações revelaram ainda a utilização de empresas de diversos setores, como sorveterias, transporte de carga, incorporação imobiliária, salões de beleza, distribuidoras de bebidas e serviços de terraplanagem. A organização criminosa era estruturada, com divisão de tarefas entre cerca de 20 integrantes, e atuava principalmente na região de fronteira.
Durante a operação, foram cumpridos 10 mandados de prisão, além de quatro prisões em flagrante. Também foram apreendidos armas de fogo, veículos, caminhões, relógios, eletrônicos e dinheiro em espécie. A Polícia Civil informou que as investigações continuam para identificar outros envolvidos e aprofundar o entendimento sobre o funcionamento do esquema, não sendo descartadas novas fases da operação.


