Não é o tempo que resolve — é o que você faz com ele que mostra o que realmente
importa.
A gente cresce ouvindo que o tempo cura tudo. Mas a verdade é que o
tempo, sozinho, não faz milagre. Ele não apaga, não corrige, não transforma. O que
o tempo faz — e faz muito bem — é revelar. Mostrar o que era de verdade. O que
foi laço e o que era só nó.
Com o tempo, a gente enxerga o que antes estava nublado, pela pressa, pelo
apego, pelo medo de perder. O tempo tira a maquiagem das situações, das pessoas
e até da gente mesmo. Ele mostra quem ficou porque era amor — e quem só estava
por conveniência, conforto ou convenção.
Tem dor que só aumenta com o tempo. Tem saudade que revela ausência.
Tem amizade que vira silêncio. E tem lembrança que, em vez de machucar, vira
sorriso. O tempo não cura — ele organiza. Ele coloca tudo no lugar certo: o que era
raso, ele afunda. O que era real, ele sustenta.
Quando você olha para trás depois de um tempo, percebe que nem tudo era
como parecia. E tudo bem. Crescer é isso: aprender a ver com mais clareza e
menos ilusão. Entender que o tempo é um aliado da lucidez, não um anestésico.
No fim, o que cura mesmo é o que você escolhe fazer com o tempo que tem.
É a forma como você se cuida, se ouve, se resgata. O tempo pode até ser lento,
mas ele é certeiro: ele revela tudo o que precisa ser visto — uma hora ou outra.

@enricopierroofc