A manhã de segunda-feira (23) na zona norte de São Paulo foi marcada por uma cena que parece saída de um roteiro de ficção policial, mas que envolveu diretamente o senador Alexandre Giordano (Podemos). O que deveria ser uma abordagem de rotina na Alameda Afonso Schmidt transformou-se em uma sucessão de infrações e tensões entre o poder legislativo e as forças de segurança estadual.
O Veículo “Fantasma” e as Luzes Proibidas
A equipe da Polícia Militar interceptou uma Land Rover preta que circulava em condições totalmente irregulares para um civil:
- Sem emplacamento: O veículo não possuía placas expostas (posteriormente encontradas no porta-malas).
- Giroflex Azul: O carro estava equipado com luzes estroboscópicas, cujo uso é restrito por lei a veículos de emergência e segurança.
- Documentação: Ao ser verificado, constatou-se que o senador conduzia com a CNH vencida.
A “Carteirada” e a Reação às Câmeras
Segundo o boletim de ocorrência, a postura de Giordano foi de confronto. Inicialmente, ele teria se identificado apenas como “federal”, uma expressão genérica que muitas vezes é usada para intimidar fiscalizações. Ao ser confrontado pela necessidade de descer do veículo, ele assumiu sua identidade como senador, mas demonstrou forte irritação ao perceber que a ação estava sendo gravada pelas câmeras corporais dos policiais.
O parlamentar teria feito ameaças verbais aos agentes e, em um momento de audácia, engatou a marcha e deixou o local rapidamente, invadindo o passeio e colocando em risco a vida de um dos policiais que faziam o cerco.
O Desfecho e as Consequências
A “fuga” durou pouco. O veículo foi localizado novamente no cruzamento da Rua Doutor César com a Avenida Braz Leme. Apesar da gravidade do relato — que inclui tentativa de evasão e ameaça —, o caso foi registrado estritamente sob a ótica do Código de Trânsito Brasileiro (CTB).
“O senador e o veículo foram liberados após o registro das infrações por conduzir veículo sem emplacamento, CNH vencida e uso irregular de luzes estroboscópicas.”
Até o momento, o Senador Giordano mantém silêncio sobre o episódio. O caso levanta questões pertinentes sobre o decoro parlamentar e se as câmeras corporais, que Giordano tanto criticou durante a abordagem, serão utilizadas como prova em um eventual processo ético no Senado Federal.


