A estrutura do Poder Judiciário de Mato Grosso passa por uma reorganização estratégica nas comarcas do interior. Três magistrados que tomaram posse em janeiro de 2026 foram designados para assumir unidades judiciárias cujos titulares foram removidos de suas funções por determinação do Órgão Especial do Tribunal de Justiça (TJMT) e do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
Mudança em Vila Bela da Santíssima Trindade
O juiz substituto Victor Hugo Sousa Santos assumiu a Vara Única de Vila Bela da Santíssima Trindade, conforme portaria publicada no final de janeiro. Ele ocupa a vaga deixada por Tatiana Batista dos Santos, afastada em junho de 2025. O afastamento de Tatiana foi motivado por fortes indícios de negligência funcional; segundo a Corregedoria, a magistrada não mantinha frequência regular no fórum e falhava no cumprimento de obrigações elementares do cargo.
O Reflexo das Investigações em Vila Rica
Em Vila Rica, o cenário é de substituição em decorrência de investigações mais severas. Os juízes Ana Emilia Moreira de Oliveira Gadelha e Felipe Barthon Lopez assumiram a 2ª Vara e a direção do Fórum, substituindo Ivan Lúcio Amarante.
Amarante está afastado por ordem do CNJ até dezembro de 2026, enquanto responde a um Processo Administrativo Disciplinar (PAD). Ele é investigado por suposta parcialidade e recebimento de vantagens financeiras indevidas que somam cerca de R$ 1,09 milhão — valores identificados em contas de familiares e empresas de fachada. O caso está ligado à suposta rede de venda de sentenças que envolveria o falecido advogado Roberto Zampieri.
Panorama em Sinop e Sorriso
A reorganização não se limita ao extremo oeste e norte do estado. Outros pontos focais de substituição incluem:
- Sinop: Na Vara Especializada da Fazenda Pública, o juiz Mirko Vincenzo Giannotte segue afastado, sendo substituído por Edson Carlos Wrubel Junior (titular de Itaúba).
- Sorriso: A 2ª Vara Cível, anteriormente sob Silvia Renata Anffe Souza, agora conta com a atuação de Lener Leopoldo da Silva Coelho. Já na 4ª Vara Cível, o afastamento de Anderson Candiotto, vigente até o fim de 2026, mantém Francisco Rogério Barros no comando da unidade.
A entrada dos novos magistrados, aprovados no último concurso, é vista como um passo essencial para garantir a continuidade dos serviços judiciais em localidades que enfrentavam instabilidade administrativa devido aos processos disciplinares contra os titulares.

