Levantamento do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) aponta que as mulheres mato-grossenses ainda enfrentam barreiras significativas de rendimento e ocupação. No estado, o rendimento médio mensal das mulheres é de R$ 2.942, valor que representa apenas 77,5% do ganho médio dos homens, que recebem R$ 3.795. Além da disparidade salarial, a taxa de desocupação feminina em Mato Grosso atinge 7,3%, enquanto a masculina é consideravelmente menor, situada em 4,2%.
A realidade das trabalhadoras em Mato Grosso é marcada por uma dupla jornada que impacta diretamente na inserção profissional. Dados revelam que as mulheres dedicam, em média, 19,3 horas semanais aos afazeres domésticos e cuidados de pessoas, quase o dobro das 10,7 horas dedicadas pelos homens. Essa sobrecarga reflete na taxa de participação no mercado de trabalho estadual, onde apenas 52,9% das mulheres em idade ativa estão ocupadas ou procurando emprego, frente a 78,8% dos homens.
Mesmo com maior nível de escolaridade, as mulheres não alcançam a paridade nos cargos de liderança no estado. Em Mato Grosso, 31% das mulheres possuem ensino superior completo, contra apenas 18% dos homens. Entretanto, apenas 37% dos cargos de direção e gerência são ocupados por elas, evidenciando que a qualificação acadêmica superior não tem sido suficiente para romper o “teto de vidro” nas estruturas corporativas regionais.
O cenário nacional reproduz as desigualdades observadas localmente, com o Brasil apresentando uma taxa de desocupação feminina de 11,5%, superior à masculina de 7,3%. Em todo o país, a diferença salarial média é de 20%, e as mulheres continuam sendo as principais responsáveis pelo trabalho não remunerado, dedicando 21,3 horas semanais ao ambiente doméstico. O levantamento reforça que a desigualdade é estrutural, atingindo especialmente as mulheres negras, que possuem os menores rendimentos médios do mercado nacional.
Para especialistas, as dificuldades das mulheres no mercado de trabalho são agravadas por preconceitos enraizados e pela falta de políticas de apoio. O técnico do Dieese, Jefferson Teixeira sobre os obstáculos enfrentados pelas trabalhadoras. “As dificuldades para a inserção e permanência das mulheres no mercado de trabalho passam, obrigatoriamente, pela divisão desigual das tarefas domésticas e de cuidados, que ainda recaem desproporcionalmente sobre elas”.
O especialista ressalta que, embora as mulheres possuam maior escolaridade, essa qualificação não se traduz em rendimentos iguais, pois “o mercado ainda impõe barreiras estruturais e preconceitos que limitam o acesso feminino aos cargos de decisão e perpetuam a subvalorização da força de trabalho feminina, mesmo quando estas apresentam competências superiores às dos homens”.



