Nacional

Morte é tabu para mais de 70% dos brasileiros

Falar sobre a morte é um tabu para mais de 73% dos brasileiros. É o que mostra a pesquisa inédita, encomendada pelo Sindicato dos Cemitérios e Crematórios Particulares do Brasil (Sincep) e realizado pelo Studio Ideias, divulgada na segunda-feira (24) na abertura do evento "Inpirações sobre vida e morte", em São Paulo.

Os números jogam luz em características da nossa cultura e ajudam a entender o que o brasileiro pensa ao lidar com o fim da vida. Segundo o resultado da pesquisa, o brasileiro tem mais medo de perder alguém do que da própria morte. 

Veja abaixo alguns dados:

  • 82,4% dos brasileiros acham que não tem nada mais sofrido que a dor da perda de alguém
  • 79% acham que nunca é a hora certa
  • 63% acham que a tristeza está associada à morte
  • 48,6% não estão prontos para lidar com a morte de outra pessoa
  • 30% têm muito medo de morrer
  • 30,4% não sabem como ou com quem falar sobre morte
  • 10% acreditam que falar sobre atrai a morte

Dificuldade de falar no assunto

Para boa parte dos brasileiros, a morte está diretamente associada a sentimentos ruins como dor, tristeza e saudade, e isso faz com que as pessoas tenham dificuldade de falar sobre o assunto. Esta sensação não passa com o tempo.

"A maioria não gosta de falar sobre morte. A questão da idade não muda a relação, a gente não ganha familiaridade conforme envelhece. O assunto é tão distante que mesmo mais velho eu continuo não querendo conversar", explica Gisella Adissi, presidente do Sincep e dona de cemitério.

Somente 21% dos jovens discutem o tema e o assunto não fica muito mais recorrente ao longo da vida. Acima dos 55 anos, apenas 32,5% conversam sobre morte. Entre as mulheres, o tema é ligeiramente mais recorrente: 29,3%.

Assunto íntimo

A dificuldade nem sempre reside na perda de alguém ou no medo da morte, mas no receio de ter uma conversa considerada íntima (57,4% acreditam que o tema pertence à intimidade) e que traz à tona justamente os sentimentos ruins associados ao tema. Isso é o que acreditam 76% dos entrevistados.

Para mais de 48%, falar sobre o assunto é depressivo e para 27,8% é mórbido. Para mais de 30%, morte é algo solitário e não deve ser dividido.

Além disso, a dificuldade de lidar com os próprios sentimentos também colabora para que a discussão seja considerada um tabu: 17% declararam não gostar de deixar transparecer seus sentimentos e 7,2 % acreditam que falar sobre a morte é um sinal de fraqueza.

A 'morte' dos rituais

Os rituais relacionados à morte também mudaram. Mais de 50% dizem não participar da missa de 7º dia, antes tradicional. O uso do preto também não é mais visto como necessário.

"A gente percebe que os rituais estão perdendo significado. As pessoas ainda reconhecem o enterro e o velório, mas não reconhecem mais a missa de 7º dia. Isso tem a ver com a geração, os mais velhos se dedicam mais ao velório, ao protocolo. Já os mais novos tem outra relação com o ritual, não querem ficar tanto tempo ali, por exemplo", explica Adissi.

Em médias, as pessoas estimam que fiquem 6h30 em um velório, quando a realidade é que eles têm média de duração de 3h30. Para 37, 4% dos entrevistados, o velório é a despedida final e 28% o consideram uma homenagem.

No Brasil, a cremação ainda pouco difundida- estima-se que apenas 10% das pessoas optem por ela.

Redação

About Author

Reportagens realizada pelos colaboradores, em conjunto, ou com assessorias de imprensa.

Você também pode se interessar

Nacional

Comissão indeniza sete mulheres perseguidas pela ditadura

“As mulheres tiveram papel relevante na conquista democrática do país. Foram elas que constituíram os comitês femininos pela anistia, que
Nacional

Jovem do Distrito Federal representa o Brasil em reunião da ONU

Durante o encontro, os embaixadores vão trocar informações, experiências e visões sobre a situação do uso de drogas em seus