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Moradores de Itu e Sorocaba usam criatividade para armazenar água

A população de Itu (SP) vem enfrentando há dez meses uma crise no abastecimento de água. Devido à estiagem, os níveis dos reservatórios estão baixos e, embora a chuva dos últimos dias tenha trazido esperança, o racionamento continua na cidade. Luís Roberto Exner, de 42 anos, é morador da Vila Gatti e adaptou a calha da casa para armazenar água da chuva. “Quando chove consigo armazenar até 3 mil litros de água. Fico até 20 dias com o registro fechado”, afirma.

Luís conta que a crise no abastecimento chegou a afetar a família, porém o sistema de captação aliado à chuva permitiu que a situação fosse amenizada. “Alguns dias nós ficamos sem água. Por causa da instalação, conseguimos garantir água quando chovia. Meus reservatórios estão transbordando depois das últimas chuvas”, explica. O mestre de cerimônias conta que faz a captação há aproximadamente dois anos. “Por causa do período aumentei a capacidade, mas não faço só em época de estiagem, faço pelo benefício. Sou consciente”, completa.
 
Na calha da casa foram feitas aberturas, por onde são conectadas mangueiras que levam a água da chuva até as caixas d’água. Os recipientes tem capacidade de armazenar mil litros.

Com o auxílio de um pressurizador, a água é enviada para outras duas caixas d’água instaladas no alto da casa, com capacidade de armazenar mais 2 mil litros. Antes da captação, as calhas são limpas e a água é tratada com cloro. Segundo o morador, a instalação custou, R$ 350.

Além da calha adaptada, uma mangueira também leva a água armazenada para as torneiras da cozinha. A família do mestre de cerimônias utiliza o volume acumulado para lavar as roupas, limpar o carro, molhar as plantas, tomar banho, entre outras tarefas. “Preciso comprar água só para beber”, afirma o morador. A medida refletiu nas contas de água da família. Luis conta que as cobranças que antes eram de R$ 130, e chegavam até R$ 170, foram reduzidas para R$ 24.

Em Sorocaba (SP), uma moradora também encontrou uma forma simples e barata de reutilizar a água. A instrumentadora cirúrgica Sueli Moltocaro improvisou uma cisterna utilizando um tambor plástico e conectores para mangueira. A água da máquina de lavar sai direto para o recipiente, que tem capacidade de armazenar 150 litros.

Sueli reutiliza a água para limpar a garagem, lavar o quintal, molhar a grama, entre outras tarefas. “Além de fazer a limpeza geral da casa, também uso a água que lavo arroz, verduras e frutas para molhar minhas plantas”, conta.

A cisterna está instalada há pouco mais de um mês e, segundo Sueli, os itens para o sistema de captação custaram R$ 80.

A instrumentadora conta que se sensibilizou com a crise no abastecimento nas cidades da região. “Ver a população de Itu sofrendo me chocou. Tenho familiares que moram lá. Também estive em Ibiúna e vi a represa secando, as pessoas andando onde era coberto pela água”, lembra.

G1

Redação

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Reportagens realizada pelos colaboradores, em conjunto, ou com assessorias de imprensa.

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