Mix diário

Ministérios se unem para repudiar vídeos no TikTok que simulam agressões a mulheres

*Alerta: o texto abaixo aborda temas sensíveis como violência contra a mulher, violência doméstica e estupro. Se você se identifica ou conhece alguém que está passando por esse tipo de problema, ligue 180 e denuncie.

O Ministério das Mulheres e o Ministério da Justiça e Segurança Pública publicaram nesta terça-feira, 10, nota oficial conjunta na qual repudiam a divulgação de vídeos publicados por influenciadores em redes sociais que fazem apologia à violência contra a vida e a integridade física de mulheres.

Como o Estadão mostrou, a Procuradoria Nacional de Defesa da Democracia – braço da Advocacia-Geral da União -, apresentou notícia-crime à Polícia Federal, solicitando a abertura de inquérito para apurar a circulação de vídeos que fazem apologia à violência contra a vida e a integridade física de mulheres. O pedido foi enviado no domingo, 8. Na segunda, 9, a PF deu início à investigação.

As imagens, que foram postadas no TikTok, e já foram retiradas da plataforma, exibem jovens simulando chutes, socos e esfaqueando manequins que representam a figura feminina. “Treinando caso ela diga não”, diz um texto. Na tela, é exibida uma mensagem que justifica a violência, com recomendações explícitas para casos de negativas de relacionamento, beijos ou casamento. O Estadão pediu manifestação do Tik Tok.

“Diante da gravidade do caso, os ministérios defendem a apuração célere, rigorosa e transparente dos fatos pelas autoridades competentes. A divulgação de conteúdos que naturalizam ou incentivam a violência de gênero é inadmissível, sobretudo em um contexto em que o País registra, em média, quatro feminicídios e dez tentativas de feminicídio por dia”, diz a nota publicada nesta terça-feira pelo Ministério das Mulheres e o Ministério da Justiça e Segurança Pública.

Para contextualizar a urgência do caso, o documento da Procuradoria Nacional de Defesa da Democracia encaminhado à PF cita dados do Relatório Anual de Feminicídios no Brasil 2025, elaborado pelo Laboratório de Estudos de Feminicídios da Universidade Estadual de Londrina. O levantamento mostra 6,9 mil vítimas de casos consumados e tentados de feminicídio em 2025, o que representa um aumento de 34% em relação ao ano anterior.

A notícia-crime também faz referência a compromissos internacionais assumidos pelo Brasil, como a Convenção de Belém do Pará e a Convenção sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra as Mulheres (CEDAW), que reforçam a responsabilidade do Estado em prevenir e combater a violência de gênero.

Estadão Conteudo

About Author

Deixar um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.

Você também pode se interessar

Mix diário

Brasil defende reforma da OMC e apoia sistema multilateral justo e eficaz, diz Alckmin

O Brasil voltou a defender a reforma da Organização Mundial do Comércio (OMC) em um fórum internacional. Desta vez, o
Mix diário

Inflação global continua a cair, mas ainda precisa atingir meta, diz diretora-gerente do FMI

A diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva disse que a inflação global continua a cair, mas que deve