O governador Mauro Mendes disse, nesta terça-feira (27), ser a favor da exploração comercial de terras indígenas (TI). Ele afirma que até 2% dessas áreas entrariam no escopo de produção agrícola e/ou extração mineral. A declaração foi feita em reunião com presidente Jair Bolsonaro, em Brasília, em que foi discutida a situação das queimadas na floresta amazônica.
Ele disse que parte da população indígena é a favor da mudança e citou os índios Parecis, em Mato Grosso, como exemplo de possibilidade da produção comercial. A etnia cultiva soja em 2% do seu território, sob autorização da Funai (Fundação Nacional do Índio). O Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) de cerca de R$ 120 bilhões pela atividade no ano passado.
Mendes criticou a imagem idílica sobre a população indígena que, segundo ele, “não coaduna” com a dificuldade de sobrevivência que algumas delas passam. “Já ouvi tantas e tantas dizerem que existem riquezas enormes nas nossas reservas indígenas – eu ouço isso há 20, 30 anos e ninguém foi capaz de fazer nada pra mudar isso. É hora de nós botarmos o dedo nesta ferida. Não podemos ter uma casa que tem um quadro na parede que vale milhões e os filhos passando fome.”
A expansão da produção comercial em terras indígenas é um dos motes de gestão do presidente Jair Bolsonaro. Hoje, a atividade é já prevista pela Funai.
Reportagem publicada em maio passado pelo Circuito Mato Grosso aponta que ao menos 17 etnias das 43 em Mato Grosso já produzem em escala de toneladas. Na safra 2018/2019, a do milho foi de 28 mil toneladas; da soja, 21 mil; a produção do feijão não entrou ainda na contagem dos milhares em toneladas, mas as 500 toneladas produzidas no período foi a maior do Estado.
Conforme dados de 2019 do Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento), agricultores indígenas de três etnias plantaram para safra de 2018/2019 quase 18 mil hectares de grãos em Campo Novo dos Parecis (385 km de Cuiabá). Só a etnia Paresi plantou 10 mil hectares, sendo a soja o destaque, com extensão de 8,7 mil hectares, seguida do milho, com mil hectares, e do arroz com 300 hectares.
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