Ex-governador minimizou infidelidade partidária e destacou que adesão de gestores, especialmente no reduto de Fagundes, fortalece projeto do aliado
O ex-governador de Mato Grosso e pré-candidato ao Senado, Mauro Mendes (União Brasil), fez uma leitura pragmática das recentes movimentações nos bastidores políticos do Estado. Para ele, o apoio declarado de prefeitos do Partido Liberal (PL) à pré-candidatura de Otaviano Pivetta (Republicanos) ao Palácio Paiaguás é um grande trunfo para o aliado — e um revés direto para o senador Wellington Fagundes (PL), que encabeça o projeto majoritário da própria sigla.
O impasse interno no PL ganhou os holofotes após o prefeito de Rondonópolis, Cláudio Ferreira (PL), anunciar publicamente que caminhará com Pivetta, preterindo a candidatura do correligionário.
Democracia e fidelidade partidária
Questionado sobre o “racha” na legenda e a divergência de palanques, Mauro Mendes tratou o episódio com naturalidade e aproveitou para criticar a estrutura partidária brasileira.
“Isso é democracia. Embora você pertença a siglas partidárias, eu particularmente acho que os partidos não fizeram por merecer essa fidelidade ao longo dos anos. Eles não foram fiéis aos princípios, houve muitos equívocos cometidos, e o próprio eleitor não está muito atento a isso”, argumentou.
O peso do revés em Rondonópolis
O impacto para a pré-candidatura do PL é considerado ainda mais simbólico pelo peso da cidade que liderou as dissidências. Rondonópolis é o principal reduto eleitoral de Wellington Fagundes — o município onde o senador iniciou sua carreira política atuando como vereador, deputado estadual e prefeito.
Mendes revelou que não chegou a conversar com Pivetta sobre a adesão recebida, mas não poupou palavras ao analisar a perda de terreno do adversário.
“Eu vejo com muita naturalidade e vejo como um ponto positivo para o Pivetta e um ponto negativo para o Wellington, porque lá [Rondonópolis] é a cidade dele, a cidade onde começou sua trajetória política. Ele tem esse vínculo talvez mais forte lá”, avaliou o ex-governador.
Efeito cascata nas prefeituras do PL
O posicionamento de Cláudio Ferreira parece ter encorajado outros gestores da sigla. Logo após a declaração do prefeito de Rondonópolis, mais dois prefeitos liberais vieram a público anunciar apoio ao nome de Otaviano Pivetta, preferindo a continuidade do atual grupo político:
- Sérgio Manich (PL): Prefeito de Primavera do Leste.
- Edilson Antônio Piaia (PL): Prefeito de Campo Novo do Parecis.
As adesões ampliam a lista de líderes municipais que, apesar de pertencerem aos quadros do Partido Liberal, já garantiram espaço no palanque do Republicanos.


