Se a média se mantiver semelhante à dos últimos anos, mais de 10 mil títulos inéditos serão publicados no Brasil em 2026. Em meio a tantos livros e lançamentos, é comum ficar perdido sobre o que chegará às livrarias daqui para a frente.
Pensando nisso, o Estadão levantou com algumas das principais editoras do País suas maiores apostas, entre títulos de autores premiados, best-sellers e novidades. Veja abaixo alguns dos destaques, agrupados em categorias.
Destaques nacionais
Será mais um belo ano para a literatura nacional, com retorno de grandes nomes e escritores premiados. Mariana Salomão Carrara, que venceu o Prêmio São Paulo de Literatura pela segunda vez neste ano, lançará o romance Claudia Vera Feliz Natal, pela Todavia, ainda sem previsão exata.
Também vencedora da premiação, mas em 2024, a poeta e escritora gaúcha Eliane Marques publica seu segundo romance em março pela Autêntica. Guanxuma é descrito como uma obra que “revisita as raízes históricas e culturais do sul do Brasil em diálogo com Argentina e Uruguai” e “se apoia nas histórias das mulheres africanas – as muntu – que, apesar do silenciamento, moldaram o Brasil Meridional”.
Já a Record lança Emocionados, novo romance da escritora, psicanalista e apresentadora Elisama Santos. A editora também vai publicar novos livros de Airton Sousa, vencedor do Prêmio Sesc 2023 e finalistas dos Prêmio Oceanos e São Paulo, e da atriz e escritora Bruna Lombardi.
Também pela Record, sai em 2026 o novo livro de Carla Madeira. Ainda sem título ou previsão de lançamento, o próximo lançamento da autora de Tudo É Rio deve gerar bastante expectativa.
Em junho, a filósofa e escritora brasileira Marilena Chauí vai publicar seu primeiro livro de ficção, intitulado Guerra Perfeita, pela Planeta Minotauro. Na Tatu-Bola, selo da Planeta, será publicado Anunciação, de Alceu Valença, livro ilustrado da canção homônima que dará início a um projeto que pretende englobar grandes nomes da música popular brasileira.
Outros destaques
– Pequenos Fantasmas, de Humberto Werneck (Seja Breve; nova edição)
– As Regras, de Lilian Sais (DBA)
– Recapitulações, de Maria Valéria Rezende (Companhia das Letras)
– Poesia Reunida Vinicius de Moraes, Vinicius de Moraes (Companhia das Letras)
– Mãe, de Natalia Timerman (Companhia das Letras)
– Gaiolas de Concreto Armado, de Paula Novais (Dublinense)
– Parcelado, de Kauê Lopes dos Santos (Fósforo)
Literatura estrangeira
Nomes já conhecidos da literatura contemporânea internacional terão novas obras lançadas em 2026. É o caso do francês Édouard Louis, sensação da Flip em 2024. A Todavia vai publicar ainda no primeiro semestre História da violência, obra na qual Louis ficcionaliza e elabora novamente um acontecimento traumático vivido nas vésperas do Natal de 2012, quando foi violentado por um homem que havia convidado para sua casa.
A Todavia também prepara A carne, da espanhola Rosa Monteiro, sobre uma mulher que contrata um gigolô para acompanhá-la em uma apresentação de ópera, na esperança de provocar ciúmes num antigo amante, mas um evento violento e imprevisto complica tudo.
A também Nobel de Literatura, Annie Ernaux, terá Os armários vazios publicado pela Fósforo.
A Planeta prepara Ciertos Chicos (Tusquets), um potente romance geracional e político do chileno Alberto Fuguet e que marca seu retorno à ficção, e Rosa Mistika (Tusquets), do tanzaniano Euphrase Kezilahabi, um dos primeiros romances africanos a abordar de forma franca a condição da mulher.
Na Companhia das Letras, a obra O que podemos saber, de Ian McEwan, que integra a lista de melhores livros do ano lidos por Barack Obama, sairá em março. Ninguém sabe o meu nome, de James Baldwin, deve sair em abril; e A cidade e suas muralhas incertas, de Haruki Murakami (Alfaguara), e Noche Negra (Companhia das Letras), da colombiana Pilar Quintana, têm previsão para junho.
Na Intrínseca a aposta é O livreiro de Gaza (Intrínseca), do franco-marroquino Rachid Benzine, que chega às livrarias em março. “Benzine oferece uma narrativa sensível sobre um conflito que já dura décadas e que, nos últimos anos, ganhou contornos ainda mais terríveis. Relatando a história da Palestina pelos olhos de um vendedor de livros, o autor homenageia a literatura palestina e apresenta os livros como armas poderosas contra a opressão”, comenta Rebeca Bolite, editora executiva da Intrínseca.
Também na lista, está Gliff, da autora escocesa Ali Smith, destacado por Cassiano Elek Machado, diretor editorial do Grupo Editorial Record, como uma das apostas da editora. “Não acontece muito [na obra], mas como em outros livros da brilhante escritora escocesa, isso não importa. Quem adentra Gliff mergulha tão somente numa neblina de linguagem. E esta é uma viagem fascinante”, defende Cassiano.
A Dublinense vai publicar Feiura, da artista afegã que cresceu como imigrante na Alemanha Moshtari Hilal. “Quando li este livro pela primeira vez fiquei completamente obcecado, não conseguia parar de falar sobre ele”, comenta Gustavo Faraon, publisher da editora gaúcha. “Na obra ela combina a própria trajetória pessoal com história, sociologia, filosofia e seus incríveis desenhos e fotografias para construir o que ela chama de a cartografia da minha feiura. A partir daí, ela passa a investigar o que determina o que é feio, e também o papel dessa suposta feiura nos discursos de ódio, preconceito, xenofobia, e como isso se derrama na política, nas relações sociais e em absolutamente tudo”, explica Faraon.
Outros destaques
– Mamut (Dublinense), da espanhola Eva Baltazar
– A primeira casa (Dublinense), da indiana Avni Doshi
– Eles te pegaram também (Dublinense), da sul-africana Futhi Ntshingila
– As horas frágeis (Gutenberg), da francesa Virginie Grimaldi
– Ulis (Nemo), do quadrinista francês Fabien Toulmé
– Lázár (Amarcord), do alemão Nelio Biedermann
– Como as florestas pensam (Editora 34), de Eduardo Kohn
– Quando os pássaros voam para o sul (Record), da sueca Lisa Ridzén
– Seascraper (DBA), de Benjamin Wood, obra semifinalista do Booker Prize 2025
– O palácio das duas colinas (Ercolano), do palestino Karim Kattan
– Uma pena no sopro de Deus (Instante), da norte-americana Sigrid Nunez
Thrillers e suspenses
A autora Freidda McFadden, autora do fenômeno A empregada, terá alguns lançamentos em 2026. A Arqueiro vai publicar Querida Debbie, thriller psicológico previsto para março e que já teve seus direitos adquiridos pela Amazon Prime para adaptação cinematográfica. Já a Record vai lançar A inquilina, também de McFadden.
Voltando para a Arqueiro, a editora também publicará a estreia literária de Reese Witherspoon, em parceria com Harlan Coben. O thriller, protagonizado por uma cirurgiã militar envolvida em uma conspiração global, une dois gigantes do entretenimento mundial e promete forte repercussão entre leitores e na indústria audiovisual.
A editora também vai lançar Remain, colaboração inédita entre Nicholas Sparks e M. Night Shyamalan, prevista para abril (leia mais sobre o projeto nesta entrevista com os autores). A obra combina romance, mistério e elementos sobrenaturais para explorar os limites entre vida, morte e conexão humana.
A obra Slow Horses e Leões adormecidos, da série inédita no país Slough House, escrita por Mick Herron é a aposta da Intrínseca. Considerada um marco em thrillers de espionagem, os livros deram origem à série de televisão Slow Horses.
Best-sellers e apostas
A Record prepara O trem da meia-noite, de Matt Haig (Bertrand Brasil). Trata-se da continuação do best-seller A biblioteca da meia-noite. A editora também vai lançar Casamento à deriva (Record), de Sophie Elmhirst, obra que entrou na lista da Time e foi um dos livros preferidos do Obama em 2025.
Já em janeiro a Intrínseca publica Tudo é tuberculose, segundo livro de não ficção do autor John Green, de sucessos mundiais como A culpa é das estrelas e Cidades de papel.
Entre os romances, destaque para a autora Lynn Painter. As obras Patinando no amor e Maid For Each Other sairão pela Intrínseca.
Richard Osman, autor do fenômeno literário O Clube do Crime das Quintas-feiras, terá a obra We Solve Murders lançada em abril também pela Intrínseca.
A aposta da Rocco é a autor sueco Fredrik Backman, com a obra Meus amigos. “Bastam poucas páginas para se envolver completamente nessa história de quatro adolescentes que, há 25 anos, se refugiaram na amizade para fugir de problemas familiares e fatalidades do destino. Arte, amor e caos se encontram de uma maneira única num romance comovente e inesquecível”, comenta Ana Lima, editora-executiva da Rocco. A obra foi escolhida por leitores como melhor romance de 2025, na votação do GoodReads.
O grupo HarperCollins Brasil vai lançar, já em janeiro, o esperado Ecos da Floresta, de Liz Moore, livro também vencedor do prêmio GoodReads e eleito melhor thriller do ano pelo The New York Times). “Tem gerado grande repercussão nas últimas semanas como uma das leituras de Taylor Swift durante a série documental The End of an Era”, explica Daniela Kfuri, diretora de Marketing e Vendas da editora.
Outros destaques
– As três vidas de Cate Kay (Record), de Kate Fagan
– Les oubliés du dimanche (Intrínseca), de Valérie Perrin
Biografias e reportagens
Um livro que certamente movimentará discussões em 2026 é Você Nunca Viu o Mal de Verdade, uma espécie de de autobiografia de Ruan Carlos de Souza Lisboa, ex-diretor financeiro do PCC. A obra será publicada pela editora Planeta e segundo Felipe Brandão, diretor editorial do grupo, é uma das grandes apostas do ano: “[São] as memórias e análises inéditas de um ex-membro do PCC. A obra também já está em negociação para adaptação cinematográfica.”
Também pela Planeta, em março, sai São Jorge, O Santo do Povo e o Povo do Santo, livro do historiador Luiz Antonio Simas sobre um dos santos mais cultuados da fé cristã. Já pela Record, chega D. João VI, uma grande biografia do monarca publicada no ano em que sua morte completa 200 anos. A obra é de autoria de Paulo Rezzutti, também responsável por biografias de D. Pedro II e D. Leopoldina.
Duas figuras icônicas do Brasil também ganham biografias. A história de Luiz Gonzaga vira livro escrito por Jotabê Medeiros (que também biografou Belchior, Roberto Carlos e Raul Seixas), com lançamento pela Todavia, enquanto Dercy Gonçalves terá sua história contada pela jornalista Adriana Negreiros. O livro chega em junho pela Objetiva.
Outro lançamento aguardado é o terceiro volume da grande reportagem de Ernesto Rodrigues sobre a Globo. O livro tem previsão de lançamento para março, pela Autêntica, com o título de Metamorfose e vai abordar os anos entre 1999 e 2025.
E o tema da inteligência artificial seguirá em evidência em 2026 com muito ainda a ser dito e discutido sobre o assunto. A Rocco prepara a obra O império da IA, uma das não ficções mais comentadas dos Estados Unidos, escrita pela jornalista Karen Hao. A obra narra os bastidores da OPenAI, pioneira empresa de desenvolvimento da Inteligência Artificial, criadora do ChatGPT.
Outros destaques
– Cobalto de Sangue (Rocco), obra de Siddharth Kara finalista do Pulitzer
– Penumbra da Aurora (Perspectiva), livro de memórias do sociólogo e historiador americano Du Bois
– Três cães selvagens (Intrínseca), não ficção de Markus Zusak, autor de A menina que roubava livros
– Biografia da escritora italiana Natalia Ginzburg, por Maja Pflug (Autêntica)
Ensaios e desenvolvimento pessoal
Em março, a Sextante lança Ter ou não ter Filhos, de Ruth Manus, “uma reflexão honesta, crítica e sensível sobre o dilema de ter filhos e os desafios da maternidade contemporânea”, segundo a editora.
Já a HarperCollins publica o novo livro de Lisa Mosconi, autora do best-seller O Cérebro e A Menopausa. “The XX Brain é o primeiro livro a abordar o aprimoramento cognitivo e a prevenção do Alzheimer especificamente em mulheres – e a enquadrar a saúde cerebral como um componente essencial da saúde da mulher”, explica Daniela Kfuri.
A 34 lança Ensaios Reunidos, do poeta Leonardo Fróes, que morreu em novembro de 2025, com organização do editor e poeta Cide Piquet.
A Civilização Brasileira, selo da Record, prepara Liberdade: Uma doença sem cura, obra inédita do pensador esloveno Slavoj iek.
Pela Seja Breve, sai A Comédia Mundana de Marcel Proust, do jornalista e apresentador Manuel da Costa Pinto. Outro destaque é Nem Inteligente, Nem Artificial, próximo livro do neurocientista Miguel Nicolelis, que será publicado pela Planeta em abril.
Outros destaques
– The PARA Method (Sextante), de Tiago Forte
– A arte de pensar claramente (Sextante), de Rolf Dobelli
– Como criar filhos emocionalmente maduros (Intrínseca), de Lindsay C. Gibson
– Como controlar suas emoções (Sextante), novo livro de Ethan Kross
– O nervo vago (Sextante), do neurocirurgião Kevin Tracey
– Mais Foco, Menos Ansiedade (Intrínseca), de Rafael Grata


