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Livro ‘Sabores & Lembranças’ disseca a culinária africana entre receitas e histórias

Norte, Sul, Leste e Oeste, o continente africano e seus mais de 30 milhões km² o tornam o terceiro maior continente do mundo em extensão e, com mais de 1,3 bilhões de habitantes, é o segundo mais populoso. Em mais de cinquenta países, milhares de línguas e culturas, a gastronomia também há de ser extremamente diversa. É tudo isso que o livro Sabores & Lembranças, edição África, do Instituto Adus em parceria com o Ministério da Cultura, compromete-se a mostrar.

Entre desertos, florestas, savanas e litoral, é através de receitas de cozinheiros e cozinheiras africanas que o continente é apresentado ao leitor. Dez chefs refugiados de Angola, Camarões, Togo, Moçambique, Costa do Marfim, República Democrática do Congo, Gâmbia, Nigéria, África do Sul e Tanzânia, tem suas histórias contadas enquanto jogam luz sobre ingredientes, técnicas e a diversidade culinária de suas regiões, com comidas afetivas e simbólicas.

A cada país, duas receitas são apresentadas. Por exemplo, diretamente do Congo, o Liboke é um prato de peixe recheado assado na folha de bananeira cuja dica de acompanhamento é apostar na Kikuanga, uma massa de mandioca fermentada típica.

Já em Camarões, o Mbongo Tchobi é uma das opções mostradas, um ensopado de peixe de carne firme que, geralmente, vem acompanhado de arroz branco e banana-da-terra ou mandioca fritas.

Entre as sobremesas, o denguê, da Costa do Marfim, é uma sobremesa à base de leite, iogurte e painço (pequeno cereal) que deve ser servida gelada e também está presente no livro.

Da África do Sul, o chamado Amarula Malva Pudding é um bolinho sul-africano com toque de geléia de damasco e calda de amarula por cima.

Enquanto o Micate com Quitaba são bolinhos fritos, com aparência semelhante ao bolinho de chuva, com calda de amendoim por cima, um toque doce cheio de tradição angolana.

Há também Egusi Soup, da Nigéria, com carnes bovina, de frango e bucho, farinha de camarão e azeite de dendê, servido comumente com fufu (massa de farinha de arroz ou mandioca). Ao final, um glossário esclarece e ensina sobre expressões, os nomes das receitas e a geografia do continente.

O angolano Marseu Sebastião de Carvalho resume bem o que esse livro representa: “o Brasil é o espelho da África. Aqui eu vejo o semba virando samba, o jongo virando capoeira, e o kimbundu atravessando o português”. A nigeriana Nwakeago Ikakke Godfavour completa dizendo que “na Nigéria e no Brasil, a comida une as pessoas e ambos os povos dançam, cantam e se reúnem para celebrar. É por isso que me sinto em casa aqui também”.

Onde ler?

O livro está disponível nas unidades dos SESCs e em bibliotecas por São Paulo, também foi distribuído em escolas públicas e ONGs.

O projeto também inclui vídeos das receitas no link: https://www.youtube.com/@adusbrasil/videos

Para mais informações, acesse adus.org.br e @adusbrasil nas redes.

Estadão Conteudo

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