A política mato-grossense está prestes a vivenciar sua maior mudança de comando nos últimos anos. O deputado Dilmar Dal Bosco (União) confirmou que entregará a liderança do Governo na Assembleia Legislativa simultaneamente à renúncia de Mauro Mendes, prevista para ocorrer entre os dias 30 e 31 de março.
A decisão não é apenas um gesto de cortesia, mas um movimento estratégico que encerra um ciclo de sete anos de estabilidade na articulação entre o Palácio Paiaguás e a ALMT.
O Calendário do Desembarque
A saída de Mauro Mendes rumo à disputa pelo Senado segue um cronograma rigoroso para evitar ruídos de imagem. Embora o prazo legal se encerre em 4 de abril, o governador já sinalizou que a decisão será selada antes do feriado da Páscoa, evitando o simbólico 1º de abril (“Dia da Mentira”). Dilmar, fiel escudeiro de Mendes, entende que sua missão se encerra com o mandato do titular.
O Conselho de Sucessão
Em um gesto de pragmatismo político, Dilmar aconselhou o vice-governador e futuro titular do cargo, Otaviano Pivetta (Republicanos), a buscar em sua própria legenda o novo articulador. A lógica é simples: o líder do governo precisa ser a extensão da vontade do governador no plenário.
- Bancada do Republicanos: Nomes como Diego Guimarães, Ninho e Valmir Moretto são vistos como opções para fortalecer a identidade do novo governo.
- A “Via da Experiência”: Dilmar também não descartou o nome de Carlos Avallone (PSDB), reconhecido pelo profundo conhecimento regimental e trânsito entre os pares.
Legado de Estabilidade
Dilmar Dal Bosco deixa o posto com um currículo de “bombeiro” e estrategista. Sob sua liderança, projetos complexos e reformas fiscais atravessaram o Legislativo sem grandes derrotas para o Executivo. “Sempre mantivemos um relacionamento muito bom, articulando os projetos de lei sem imbróglios”, destacou o parlamentar, que agora se prepara para atuar como um dos pilares da bancada do União Brasil, possivelmente focando em sua própria reeleição ou em novos projetos dentro da sigla.
A partir de abril, a ALMT terá uma nova cara. A saída de Dilmar obriga Pivetta a não apenas escolher um nome, mas a definir o tom de sua relação com o Parlamento para os meses finais de governo.

