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Laudo confirma que bebê de 2 anos morreu por esganadura em Sinop; pais demonstravam indiferença

A investigação sobre a morte de uma menina de dois anos em Sinop (a 500 km de Cuiabá) teve uma reviravolta com a conclusão do laudo pericial de necropsia. O documento oficial confirmou que a criança, que tinha paralisia cerebral, foi assassinada por asfixia mecânica provocada por esganadura. O exame também revelou que a vítima vivia sob condições extremas de maus-tratos, apresentando um estado crônico de subnutrição e desidratação severa.

O caso veio à tona no último domingo (20), quando a menina foi levada pelos pais à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) André Maggi. A equipe médica que realizou o atendimento inicial constatou que a paciente já estava morta havia pelo menos uma hora antes de dar entrada na unidade de saúde.

Conclusão Pericial e Estado da Vítima

Conforme o laudo necroscópico, a menina estava “submetida a um sofrível estado crônico de subnutrição e desidratação”. Apesar da extrema debilidade física e da falta de cuidados básicos com a higiene, os legistas concluíram tecnicamente que a causa imediata do óbito não decorreu diretamente da desnutrição, mas sim do estrangulamento mecânico das vias respiratórias.

Diante das evidências técnicas anexadas ao inquérito, o pai, de 20 anos, foi indiciado por homicídio qualificado. A mãe, uma adolescente de 17 anos, foi responsabilizada pela prática de ato infracional análogo a homicídio qualificado.

Em declaração à imprensa, o delegado da Polícia Civil de Sinop, Bráulio Junqueira, informou que ambos foram interrogados e negaram expressamente ter provocado a esganadura da filha.

Indiferença e Repulsa dos Profissionais

Além de detalhar os ferimentos e a causa da morte, os peritos registraram no laudo observações sobre a postura do casal diante da tragédia. Profissionais de saúde e agentes que tiveram contato direto com os dois relataram uma postura de total frieza emocional.

“Imperativo destacar a indiferença dos pais perante o quadro da menor, inclusive mesmo após o seu falecimento”, destaca um trecho do documento pericial, que compilou dados do prontuário médico, do relatório de óbito do plantonista e dos exames de custódia.

O relatório pericial acrescenta que a atitude desprovida de comoção dos responsáveis diante da perda da filha provocou “estranheza, incômodo e repulsa” entre as equipes que atuaram no atendimento inicial e nos procedimentos da ocorrência.

A Polícia Civil de Sinop segue conduzindo as investigações para individualizar a responsabilidade direta de cada um dos envolvidos na execução da esganadura e concluir o inquérito policial.

Lucas Bellinello

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