O juiz da Décima Primeira Vara Criminal Especializada Justiça Militar em Cuiabá-MT, Marcos Faleiros da Silva, resolveu adiar a audiência da tenente do Corpo de Bombeiros Izadora Ledur de Souza, que aconteceria nesta terça-feira (30), para poder ouvir outras testemunhas envolvidas no caso.
Na última sexta-feira (26), o juiz determinou o cancelamento da sessão de instrução onde ouviria a tenente Ledur, que está sendo acusada de ter participação direta na morte do aluno bombeiro, Rodrigo Patrício Lima Claro, 21, que morreu durante o curso de formação militar, onde a oficial era instrutora.
O caso que já perdura por mais de dois anos, agora vai ouvir no dia 05 de agosto a partir das 14h, o major BM Danilo Cavalcante Coelho, o perito criminal Dionísio José Bochese Andreoni, que atestou que a morte de Rodrigo foi por causa natural, s será ouvido também, o 1º tenente BM Janisley Teodoro Silva.
Já a audiência da acusada, será designada em momento processual oportuno, segundo o magistrado Marcos Faleiros.
Nos dias 15 e 16 deste mês a 11ª Vara Criminal Especializada Justiça Militar, começou a ouvir as testemunhas de defesa da acusada.
O coronel João Rainho, ex-coordenador do curso de salvamento aquático, durante a sua audiência, considerou normal as atitudes de Ledur, e classificou alunos que reclamaram do tratamento da oficial como “frouxos”.
“Se fosse comigo seria pior, tenho que preparar o aluno para o pior, e muitas vezes o bombeiro entra com a pressão psicológica da família fora da água que quer agilidade para resgatar a vítima, tem o fator de rio cheio, sujo, com madeiras na correntezas, são várias situações que se o aluno não estiver preparado, e só com conhecimento em piscina ou sem pressão, na hora H, ou ele vai deixar a vítima morrer, ou vai morrer junto”, disse.
Outro que depôs a favor de Ledur, foi o soldado Rafael do Carmo Lisboa, que hoje atua como um dos instrutores nos cursos de formação.
“O aluno é cobrado sim, mas não pressionado. A gente não pode falar muito. A gente orienta e incentiva. Ela cobrava o nosso melhor desempenho, nada que fosse obrigado. Costumo dizer que a Ledur foi muito importante para eu ser o profissional que eu sou”, salientou.
Outra que foi ouvida, foi a jornalista Larissa Malheiros, que atuava como assessora de imprensa da instituição na época dos fatos.
A jornalista durante a audiência informou que não acompanhou de perto o curso, porém, durante o tempo que esteve na instituição, não ouviu queixas de outras pessoas a respeito da oficial. Larissa ainda afirmou, que Ledur só se “afastou dos holofotes” e não se manifestou para a imprensa durante esse período, por orientação do comando do Corpo de Bombeiros.
A tenente Izadora Ledur foi declarada apta a permanecer na ativa do Corpo de Bombeiros pelo Conselho de Justificação formado por um tenente-coronel, um major e um capitão.
O Conselho de Justificação acatou o pedido apresentado pela defesa, que alegou no processo administrativo que não houve qualquer ferimentos à moral, à ética ou à disciplina, apesar dos xingamentos proferidos por Ledur, classificados por alguns alunos como pressão psicológica.
Com isso, o conselho formado por oficiais decidiu que a tenente Izadora Ledur “reúne condições de permanecer na ativa do Corpo de Bombeiros”.
O documento foi encaminhado ao governo de Mato Grosso, que enviou para o Tribunal de Justiça. O processo foi distribuído para a Turma de Câmaras Criminais Reunidas e o relator é o desembargador Rondon Bassil Dower Filho.
Dia 10 de novembro de 2016 e o cenário era a Lagoa Trevisan, em Cuiabá. Alunos realizavam treinamento do Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso. Depois de sofrer uma sessão de tortura com caldos e humilhações, Rodrigo teria engolido muita água e vomitou bastante na beira do lago. Ele alegou estar sentindo fortes dores na cabeça e pediu para ser liberado, indo por conta própria até a Policlínica do bairro Verdão, onde recebeu o primeiro atendimento, e ali se notou que a situação do jovem era gravíssima.
O jovem Rodrigo morreu após cinco dias internado no Hospital Jardim Cuiabá, na capital. Ele deu entrada no hospital com aneurisma cerebral.
O jovem já havia comunicado sua mãe sobre a conduta da oficial com ele. Rodrigo afirmara que ocorreram outros casos e que as sessões de afogamento eram comuns. Outros alunos que estiveram no curso confirmaram a perseguição da tenente com o então aluno.
Rodrigo, no dia da aula na Lagoa Trevisan, horas antes chegou a enviar uma mensagem no celular de sua mãe relatando que estava com medo da aula e de Izadora Ledur, que estava pressentindo que algo não acabaria bem naquela tarde. Desde então a família busca por justiça e luta pela condenação da tenente.
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