As ações dos membros do esquema que tentou criar um monopólio na saúde pública do Estado de Mato Grosso, investigados na Operação Sangria, que teve a sua segunda edição deflagrada na manhã desta terça-feira (18) e que determinou a prisão de oito pessoas, foram consideradas mais graves do que os atos denunciados na Operação Red Money, de acordo com o juiz Marcos Faleiros, da 7ª Vara Criminal de Cuiabá.
A afirmação está na decisão que ordenou a prisão preventiva de Huark Douglas Correia, ex-secretário Saúde de Cuiabá, Fábio Liberali Weissheimer, Adriano Luiz Sousa, Kedna Iracema Fonteneli Servo, Celita Liberali, Luciano Correa Ribeiro, Flávio Alexandre Taques da Silva e Fábio Alex Taques.
Os acusados são investigados em um esquema que monopolizou os serviços da área da saúde em Mato Grosso. Em um levantamento realizado pela Controladoria Geral do Estado (CGE) por meio do Fiplan, três empresas vinculadas a Huark receberam R$ 82 milhões em contratos com o governo do Estado entre 2011 e 2018.
A apuração Red Money, cujo processo ainda tramita na justiça, apura um esquema de lavagem de dinheiro e movimentações financeiras por parte de uma facção criminosa, com utilização de empresas de fachadas, contas bancárias de terceiros, parentes de presos, entre outros.
Na decisão que determinou as prisões, o magistrado declarou: “por fim, registro que de todos os processos que trabalhei, esses são os fatos concretamente mais graves, talvez, até mais graves que atuação dos membros da facção Comando Vermelho (Operação Red Money), porque envolvem esquema de corrupção, fraude a licitação em prestação de serviços da saúde pública (UTIs e Clínica médica) e lavagem de dinheiro, gerando a morte de pessoas que estão na fila de espera para realização de cirurgia de alta complexidade (Cardíaca, Neurológica), mas não conseguem diante da ação do grupo que monopoliza o serviço de saúde e superfaturam contratos".
Faleiros ainda declarou que os envolvidos utilizaram influências políticas para permanecer em cargos estratégicos, dessa forma beneficiando as empresas Proclin, Prolabora e Qualycare. A ação esgotava o dinheiro público em detrimento de interesses próprios, enquanto simulava um serviço de qualidade. E ainda diz que os fatos são “extremamente graves”.
A investigação da Operação Sangria apura fraudes em licitação, organização criminosa e corrupção ativa e passiva, referente a condutas criminosas praticadas por médicos/administrador de empresa, funcionários públicos e outros, tendo como objeto lesão ao erário público, vinculados a Secretaria de Estado de Saúde e a Secretaria Municipal de Saúde, através de contratos celebrados com as empresas usadas pela organização, em especial, a Proclin e a Qualycare.
Operação Sangria
O nome da operação é alusivo a um tratamento médico em que se retira sangue do paciente como tratamento de doenças, que pode ser de diversas maneiras, incluindo o corte de extremidades, o uso de sanguessugas ou a flebotomia.
A 2ª fase da “Sangria” foi deflagrada nesta terça-feira (18) pela Polícia Judiciária Civil (PJC). Nela foram cumpridos oito mandados de prisão preventiva e quatro buscas e apreensão. Entre os alvos, três médicos, um gerente de licitação, um coordenador financeiro, parente, e funcionários das empresas prestadoras de serviços médicos hospitalares, e que estariam tentando obstruir as investigações.
A operação, oriunda de investigação da Delegacia Especializada de Crimes Fazendários e Contra a Administração Pública (Defaz), é desdobramento do cumprimento de onze mandados de busca e apreensão, expedidos pela 7ª Vara Criminal de Cuiabá, ocorridos no dia 4 de dezembro, para apurar irregularidades em licitações e contratos firmados com as empresas Proclin (Sociedade Mato-Grossense de Assistência Médica em Medicina Interna), Qualycare (Serviços de Saúde e Atendimento Domiciliar LTDA) e a Prox Participações, firmados com o município de Cuiabá e o Estado.


