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Irmãos são condenados a mais de 63 anos de prisão por assassinato de Raquel Cattani em Nova Mutum

O Tribunal do Júri da Comarca de Nova Mutum (242 km de Cuiabá) condenou os irmãos Romero Xavier Mengarde e Rodrigo Xavier Mengarde pelo assassinato de Raquel Cattani, de 26 anos, ocorrido em julho de 2024. Romero, ex-marido da vítima, foi sentenciado a 30 anos de prisão em regime fechado, na condição de mandante do crime. Rodrigo, apontado como executor, recebeu pena de 33 anos, 3 meses e 20 dias. A decisão foi anunciada após cerca de 16 horas de julgamento, encerrado na madrugada desta sexta-feira (23). O Conselho de Sentença acolheu integralmente a tese do Ministério Público. Para os jurados, o crime foi premeditado e cometido de forma covarde.

Os jurados reconheceram a prática de homicídio qualificado, com incidência das qualificadoras de feminicídio, motivo torpe, meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima. No caso de Rodrigo, também houve condenação pelo crime de furto. Quanto ao feminicídio, ambos receberam a pena máxima prevista na legislação brasileira. O julgamento foi marcado por depoimentos técnicos, interrogatórios e debates intensos entre acusação e defesa. A promotoria sustentou que a vítima não teve qualquer chance de se defender. A defesa tentou afastar a premeditação, mas não convenceu o júri.

Raquel Cattani foi encontrada morta dentro de sua residência, no Assentamento Pontal do Marape, em Nova Mutum. Ela apresentava múltiplas lesões causadas por arma branca. De acordo com as investigações, o crime teria sido encomendado por Romero e executado pelo próprio irmão. A Polícia Civil apontou ainda que houve tentativa de simular um latrocínio para confundir as investigações. O conjunto de provas indicou planejamento prévio e divisão de tarefas entre os acusados. O caso causou grande repercussão na região.

Durante o julgamento, Romero negou envolvimento no assassinato e afirmou que teria sido torturado por policiais para confessar o crime. A alegação foi rechaçada pelo Ministério Público, que destacou a inexistência de provas sobre a denúncia. Rodrigo, por sua vez, optou por permanecer em silêncio durante o interrogatório. Delegados responsáveis pela investigação relataram o comportamento dos réus ao longo da apuração. Segundo os relatos, Romero demonstrava frieza, cálculo e ausência de reação emocional. Também foi citado histórico de controle e perseguição contra a vítima.

Na fase de debates, o promotor João Marcos de Paula Alves fez um apelo direto aos jurados. Ele afirmou que a versão apresentada por Romero, de forma isolada, poderia gerar empatia, mas que as provas demonstravam claramente a autoria do crime. O promotor exibiu uma foto de Raquel sorrindo e pediu que aquela imagem fosse preservada ao final do julgamento. Delegados reforçaram a existência de um ciclo de violência vivido pela vítima. Testemunhas relataram crises de fúria, descontrole emocional e pressão psicológica por parte de Romero.

A mãe da vítima, Sandra Cattani, prestou depoimento emocionado ao Tribunal do Júri. Ela relatou a rotina da filha e o momento em que a encontrou caída no chão de casa. Inicialmente, pensou que Raquel tivesse passado mal, mas percebeu que o corpo estava rígido e sem vida. O relato causou forte comoção no plenário. Para a acusação, o depoimento reforçou o impacto humano do crime. Ao final, a condenação foi considerada uma resposta da Justiça à violência praticada contra a vítima.

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